Jornal Eletrônico da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)

Ano 05 - Edição 30 - Julho de 2011

Novo padrão de classificação do milho é aprovado

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) aprovou o novo padrão oficial de classificação do milho, que deve entrar em vigor a partir de julho de 2012. Após consulta pública, o documento final foi concluído no último mês de maio.

Para entender as principais mudanças estabelecidas pelo novo padrão e a importância da classificação de produtos vegetais, o Grão em Grão entrevistou o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) Marco Aurélio Guerra Pimentel (foto).

Grão em Grão: Como pode ser definida a classificação de produtos agrícolas?

Marco Aurélio: Segundo o Mapa, a classificação vegetal é o ato de se determinar a qualidade de um produto, mediante análises específicas e por comparação entre a amostra analisada e os padrões oficiais aprovados pelo Governo Federal.

Qual a importância desse tipo de classificação?

Os padrões de classificação influem diretamente na vida de todos os cidadãos. Entretanto, a maioria da população conhece superficialmente ou até mesmo desconhece os padrões de classificação dos principais produtos agrícolas, como arroz, feijão, soja, milho, trigo, etc. A classificação enquadra os produtos em tipos, com produtos “Tipo 1” sendo geralmente os de melhor qualidade para algumas espécies vegetais. Um exemplo clássico é o padrão de classificação do arroz. Isso porque, geralmente no varejo, os consumidores preferem o arroz “Tipo 1”, que oferece melhor qualidade, maior percentual de grãos inteiros e pode apresentar maior rendimento no cozimento.

Por que foi definido um novo padrão de classificação do milho?

O atual padrão oficial de classificação do milho está em vigor há 34 anos (Portaria n° 845 de 08/11/1976), apresenta-se defasado e não atende às necessidades e exigências dos mercados consumidores (Tabela 1). O novo padrão, que deverá entrar em vigor no dia 1º de julho de 2012, com o início da safra 2012/2013, tem o objetivo de atualizar os limites de tolerância para atender às novas exigências mercadológicas.

Quais são as principais mudanças estabelecidas pelo novo padrão?

Várias mudanças podem ser destacadas, entre as principais, a diferenciação do padrão de qualidade do milho pipoca para o milho comum. Na portaria atual, o padrão era único para os dois produtos (Tabela 2).

O milho será classificado em grupos (duro, semiduro, dentado e misturado), classes (amarela, branca, cores e misturada) e tipos (I, II, III e fora de tipo), estabelecidos conforme a qualidade. Haverá alteração quanto ao percentual mínimo de grãos com as características do grupo para o enquadramento (Tabela 2).

Será estabelecida tolerância de 85% de grãos duros, semiduros e dentados para enquadramento em cada grupo. Ou seja, uma amostra deverá ter, no mínimo, 85% de grãos duros para ser enquadrada no grupo “duro” e o mesmo raciocínio aplica-se aos demais grupos, exceto ao grupo misturado, que deverá conter as especificações percentuais.

Nas classes, também serão implantadas alterações no novo padrão, com inclusão da classe “cores”, inexistente na portaria atualmente em vigor.

Mas, sem dúvida, as alterações mais profundas referem-se aos padrões para enquadramento em tipo. Os limites máximos de tolerância de grãos ardidos, mofados, quebrados, carunchados, matérias estranhas e impurezas foram revisados e tornaram-se mais rígidos. No novo padrão, esses limites serão reduzidos, exigindo a adequação de produtores, armazenistas e indústrias quanto aos cuidados com os grãos na manutenção da qualidade, desde o cultivo, no manuseio, no transporte, no acondicionamento e com  técnicas de controle de pragas e de armazenamento (Tabela 3).

Na prática, como o produtor perceberá o que muda com o novo padrão de classificação?

Simulando uma situação prática, pelo novo padrão oficial, para o grão ser classificado como milho “Tipo 1”, em cada tonelada poderá haver até 6% de grãos avariados (mofados, ardidos, quebrados e carunchados). Atualmente, seria permitido até 11% de grãos avariados por tonelada. Trata-se de uma redução considerável nos limites de tolerância, principalmente quando pensamos em grandes volumes de produção (Tabela 3).

Quais serão os reflexos da implantação desse novo padrão de classificação do milho para os consumidores e produtores?

O novo padrão de classificação trará vantagens aos consumidores pela disponibilidade de alimentos à base de milho com melhor qualidade, devido ao maior rigor nos limites de tolerância.

Por outro lado, produtores rurais, cooperativas e indústrias também serão beneficiados pelo novo padrão, que atende antigas reivindicações desses setores, especialmente em relação ao percentual de grãos ardidos e avariados, que terão os limites alterados para níveis mais rígidos. Segundo relatos de cooperativas e produtores, na prática, alguns segmentos do setor já vêm atendendo ao padrão de 6% de grãos avariados.

Quais grupos sentirão mais impacto com as mudanças?

As consequências das novas regras deverão impactar com maior intensidade os grandes grupos que beneficiam o milho para a indústria e a exportação. A produção em menor escala, como a da agricultura familiar, não deverá sofrer impactos com maior profundidade, pelo menos a princípio.

Como os agricultores devem se preparar para atender ao novo padrão?

Os produtores terão que se adequar ao uso de sistemas de produção que forneçam grãos com maior qualidade, como o Sistema de Produção Integrada (SAPI), terão de fazer uso adequado de máquinas colhedoras, de sistemas de secagem de grãos, estruturas e práticas de armazenamento que permitam alcançar maior qualidade dos grãos na pós-colheita.

Qual será o papel da Embrapa Milho e Sorgo neste novo cenário?

A Embrapa Milho e Sorgo, assim como outras entidades ligadas ao Mapa, deverá atuar na orientação, adaptação de tecnologias, ampliação e refino de práticas e processos agrícolas e na transferência das tecnologias adaptadas ao novo cenário.

As boas práticas de cultivo deverão ser mais difundidas e o produtor deverá ter maior preocupação com o manejo da cultura, com o objetivo de produzir grãos de melhor qualidade para garantir que o produto colhido atenda aos novos padrões e não receba uma classificação entre os níveis mais baixos.

Tabela 1. Limites máximos de tolerância (expressos em % de peso) para a classificação do milho, atualmente em vigor, segundo a portaria n° 845 de 08/11/1976

Tipificação

Grãos Avariados

Matérias estranhas, impurezas e fragmentos

Umidade (%)

 

 

Máximo de ardidos e brotados

Total

Tipo I

3,0

11,0

1,5

14,5

Tipo II

6,0

18,0

2,0

14,5

Tipo III

10,0

27,0

3,0

14,5

Abaixo do padrão*

-

-

-

14,5

*Valores percentuais deverão ser especificados em cada caso.

 

Tabela 2. Comparação dos antigos parâmetros de classificação do milho e do novo padrão

Classificação

Classificação Antiga (Port. n° 845 de 08/11/1976 e Port. SDR n° 11 de 12/04/1996)

Nova classificação (a partir de 01/07/2012)

Grupos

Duro, mole, semiduro e misturado

Duro, semiduro, dentado e misturado

Classes

Amarelo, branco e mesclado

Amarela, branca, cores e misturada

Tipo

I, II, III, abaixo do padrão e desclassificado

I, II, III e fora de tipo

 

Tabela 3. Novos limites máximos de tolerância (expressos em % de peso), a serem adotados a partir de julho de 2012, para milho

Tipificação

Grãos Avariados

Grãos quebrados

Matérias estranhas e impurezas

Carunchados

Mofados e Ardidos

Total

Tipo I

1,0

6,0

3,0

1,0

2,0

Tipo II

2,0

10,0

4,0

1,5

3,0

Tipo III

3,0

15,0

5,0

2,0

4,0

Fora de Tipo

>3,0

>15,0

>5,0

>2,0

>4,0

 

Mais informações: Núcleo de Comunicação Organizacional da Embrapa Milho e Sorgo, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: (31) 3027-1272 ou marina@cnpms.embrapa.br .


Marina Torres (MG 08577 JP)
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
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Tel.: (31) 3027-1272
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