25/09/2012 13:59:29
Localização causa crise de abastecimento. Falta de transportadoras para escoar o milho público por meio de leilões de frete da Conab agrava problema logístico
Por: Bruno Cirillo
São Paulo
O estoque público de milho está no menor nível desde dezembro de 2008, com cerca de um milhão de toneladas. 92% do total se concentram na Região Centro-oeste, e não chegam aos pecuaristas do Sul e do Nordeste.
“A preocupação, no ano passado, era com o excesso de estoque — cerca de quatro milhões de toneladas. Então, pressionamos o governo para a venda do milho. Ele vendeu e, agora, foi pego pela quebra de safra norte-americana”, lembra Glauber Silveira.
O líder da Associação Brasileira dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) frisa que o maior problema não é a disponibilidade do cereal, mas sim a distribuição da matéria-prima da ração para os criadores de aves e suínos. Principalmente nos estados sulistas e nordestinos.
“A situação é gravíssima, e não se toma providências. O Nordeste precisa de 150 mil toneladas de milho, imediatamente. Milhares de cabeças de ovinos e caprinos estão morrendo de fome, todos os dias, na Bahia”, alerta o secretário de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do estado, Eduardo Salles.
Leilões
O próximo leilão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), previsto para esta semana, confirmará se houve aumento de interesse pelo frete do cereal — já que o serviço se valorizou.
Será a décima rodada do ano. Antes da última, cujos deságios chegaram a 24%, três fracassaram, ou seja, tiveram a oferta parcial ou completamente recusada pelas transportadoras.
O leilão realizado em 14 de setembro, com 33 lotes e um volume total de 105 mil toneladas de milho oferecidas, obteve preço de fechamento de R$ 33,9 milhões.
O anterior, datado do dia 6, obteve a venda de apenas quatro lotes (4,9 mil toneladas), entre 37 opções (116 mil toneladas). Os deságios não passaram de 0,1%.
Propostas
Salles, que preside o Conselho Nacional de Secretários de Agricultura, propõe a oficialização de uma medida provisória que permita a compra imediata dos estoques privados de milho na Região Nordeste. “A cada dia que passa sem uma decisão, em Brasília, famílias nordestinas perdem seus rebanhos, seu patrimônio”, diz.
A longo prazo, a solução estaria no desenvolvimento de ferrovias, em substituição ao modelo rodoviário — adotado no Brasil por razões dos anos 1950 —, de acordo com Silveira, da Aprosoja.
“Hoje, para o milho sair daqui [do Mato Grosso], o frete custa de R$ 15 a R$ 20. Com a ferrovia, cairia para R$ 8. Pelo meio rodoviário, não tem frango que consiga comer esse milho”, afirma.
Exportações
A exportação recorde de 2,7 milhões de toneladas de milho em agosto já havia preocupado governo e representantes da pecuária sobre a necessidade de recomposição dos estoques oficiais.
À Agência Estado, o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Rubens Rodrigues dos Santos, garantira que o governo estaria analisando “a alquimia perfeita”, em relação ao volume de estoque que seria necessário para garantir o abastecimento interno.
Santos dissera que o fundamento de oferta e procura deve ser respeitado, “pois mercado é mercado”, mas ressaltara que o governo deveria contar com mecanismos que evitassem o excesso de vendas externas do grão.
Afinal, tal desequilíbrio, como se observa, afeta um componente responsável por 70% dos custos de produção de aves e suínos.
Fonte: Panorama Brasil, 24 de setembro