22/4/2009 10:53:56
Pirapora – O novo corredor de exportação do Noroeste e Norte de Minas Gerais, criado a partir da implantação do terminal intermodal de Pirapora e inaugurado semana passada, já está despertando o interesse de empresários e produtores rurais. O empreendimento, construído pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA, controlada pela Vale) em parceria com o governo do estado, e que demandou investimentos de R$ 300 milhões, tem como objetivo escoar a produção de grãos (como soja e milho) das duas regiões para o Porto de Tubarão, em Vitória (ES). O transporte das áreas produtoras (Paracatu e Unaí, principalmente) até Pirapora será feito em caminhões e carretas. De lá, segue por estrada de ferro até o litoral.
O prefeito de Pirapora, Warmillon Fonseca Braga, disse que já recebeu a visita de representantes de várias empresas interessadas em investir na região, como o grupo Algar, do Triângulo Mineiro, que tem negócios em setores como telecomunicações, esmagamento de grãos e entretenimento. De olho no movimento de caminhões e carretas, empresas de autopeças, recapagem de pneus e distribuidoras de combustíveis também querem se instalar na cidade.
As oportunidades geradas pelo empreendimento atraíram a atenção do empresário Décio Bruxels, que já planta soja no Noroeste e adquiriu áreas para cultivar o grão também em São Romão, às margens do Rio São Francisco. “Além do melhor preço pago pela soja, esperamos que, com o novo terminal, seja feito um transporte mais seguro e mais barato”, diz. Segundo Marcelo Spinelli, presidente da FCA, os produtores do Noroeste já estão recebendo até R$ 4 a mais no preço da saca de soja (60 quilos) colocada em Pirapora. “Esse aspecto é determinante para a ampliação do agronegócio na região, pois o produtor olha primeiro o lucro”, resume o secretário de Estado de Agricultura, Gilman Viana.
Outro fator importante é o valor da terra nesta parte do estado, considerado baixo em relação a outras áreas produtoras. O preço da terra “nua” (sem benfeitoria) no município de Buritizeiro (que faz limite com Pirapora) varia de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil o hectare, segundo um agricultor da região. Nesse quesito, os empresários que quiserem aportar recursos na nova fronteira agrícola contam com um outro incentivo: o estado prometeu facilitar a liberação de crédito, via Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), para a compra de terras e outros investimentos.
Estudo encomendado pela Vale à Campo Consultoria demonstra que as regiões Noroeste e Norte do estado contam, atualmente, com 330 mil hectares plantados de soja – e ainda dispõem de cerca de 2,5 milhões aptos para o cultivo do grão, o que pode resultar numa produção de 7,5 milhões de toneladas por ano. Grande parte dessa área está situada em municípios próximos a Pirapora, como Buritizeiro, Santa Fé de Minas e São Romão, que ainda não têm tradição de plantio de soja, mas apresentam condições favoráveis à cultura, como altitude e clima. “Estamos numa região viável para a produção de soja, mas que estava adormecida porque existia um tabu de que aqui não se podia produzir grãos", afirma o técnico Nilton José da Silva, gerente da Fazenda Rio Formoso, em Buritizeiro, que tem 3,3 mil hectares de soja.
Parte da produção também é destinada à indústria. Segundo Silva, a fazenda alcança uma produtividade média de 48 sacas por hectare, em plantio de sequeiro. A Rio Formoso foi visitada por uma caravana organizada pela Vale e integrada por técnicos, produtores e representantes de empresas compradoras que, na semana passada, percorreu diversas propriedades rurais da região.
Fonte: Estado de Minas, 20 de abril