24/2/2010 09:54:52
O agricultor Carlos Luís Mendes, 37 está preocupado. Desde o início de janeiro ele planta milho e feijão, mas até agora só colheu prejuízo. As chuvas abaixo da média são apontadas como a principal justificativa. ``Está tudo morrendo por falta d-água. Se tivesse chovido, já estaria em fase de produção. Agora só volto a plantar quando a terra estiver bem molhada``, comenta. A situação tem deixado agricultores em todo o Estado apreensivos.
Segundo os dados da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), de 1º de fevereiro até ontem choveu 78,9% menos que a média histórica do mês, que é de 123,8 milímetros. Este ano, foram registrados apenas 26,1 milímetros, enquanto que em 2009, foram 124,9 milímetros.
E a previsão de chuvas abaixo da média continua em março, abril e maio. O gerente do Departamento de Meteorologia da Funceme, David Ferran, aponta que o total de chuvas do trimestre tem 45% de chance de ficar abaixo da média. A probabilidade que fique na média é de 35%. O prognóstico foi feito a partir da Reunião de Avaliação Climática para o Nordeste, que ocorreu na semana passada em Natal (RN), com a presença de meteorologistas, pesquisadores e técnicos dos Estados nordestinos.
Essa tendência de chuvas abaixo da média é resultado da influência do fenômeno El Niño no Hemisfério Sul. O aquecimento no Oceano Atlântico não é favorável para o deslocamento da Zona de Convergência Intertropical & principal sistema causador de chuvas no período de março a maio no Nordeste. A superfície do Oceano Pacífico também está mais quente, movimentando as massas de ar de modo que elas descem também nessa região brasileira.
Calor persiste
O gerente da Funceme acrescenta que caso não ocorram precipitações até o dia 19 de março, a agricultura de sequeiro terá dificuldades na produção. ``Se não chover até o dia de São José, a plantação não terá tempo suficiente para se desenvolver``, prevê.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Crato, José Ildo, já considera o período de estiagem. ``Reunimos as lideranças sindicais e detectamos um prejuízo de quase 50% na produção. Muito agricultor tem desistido de plantar e está guardando as sementes``, diz. A sensação de calor também deve persistir, já que ocorre a diminuição dos ventos.
EMAIS
- Segundo o gerente da Funceme, David Ferran, o prognóstico de menos chuvas não significa que não choverá no Ceará. As indefinições da superfície do Atlântico não permitem apontar qual região deve chover mais e nem quando vai começar a chover.
- Em dez anos de El Niño, sete são de chuvas abaixo da média no Nordeste.
- Participaram da Reunião de Avaliação Climática para o Nordeste: Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
- A Defesa Civil do Ceará está atenta às mudanças climáticas. O representante do órgão, Francisco Brandão, comenta que o Estado sai de um extremo para outro, ao recordar as intensas chuvas do primeiro semestre de 2009. ``O ideal seria estarmos em torno da média histórica, mas estamos nos adaptando``.
Fonte: Viviane Gonçalves
Guilherme Viana (MTb/MG 06566 JP)
Jornalista / Embrapa Milho e Sorgo
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