Mais de 170 cultivares transgênicas são disponibilizadas no mercado de sementes do Brasil para a safra 2011/12
José Carlos Cruz1
Israel Alexandre Pereira Filho1
Gustavo Henrique da Silva2
1Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
2Bolsista FAPEMIG/EMBRAPA
Na safra 2011/12, estão sendo disponibilizadas 489 cultivares de milho (sendo 316 cultivares convencionais e 173 cultivares transgênicas), portanto verifica-se uma redução em relação à safra anterior. A dinâmica de renovação das cultivares foi mantida, sendo que 72 novas cultivares foram acrescentadas e 81 cultivares deixaram de ser comercializadas. Entretanto, o perfil das cultivares que entraram e saíram do mercado foi bastante diferente quando se compara as convencionais e as transgênicas
Houve um significativo aumento do número de cultivares transgênicas disponíveis no mercado (57 novas foram disponibilizadas no mercado, substituindo 20 cultivares transgênicas que deixaram de ser comercializadas). Por outro lado, entre as cultivares convencionais apenas 15 novas entraram no mercado, enquanto 61 deixaram de ser comercializadas.
Esses dados foram obtidos diretamente das empresas produtoras de sementes de milho, em materiais de divulgação e promoção das empresas do ramo, como boletins e fôlderes das cultivares de milho distribuídos gratuitamente, e de outras fontes disponíveis, como a ABRASEM, e no Zoneamento Agrícola. Para facilitar a compreensão, uma análise deve ser realizada separadamente, uma vez que a maioria das cultivares transgênicas possui também uma versão convencional.
Cultivares convencionais (não trangênicas)
Uma análise crítica mostra uma predominância no número de híbridos simples, que representam hoje 49,05% do mercado. Os híbridos simples e os triplos, modificados ou não, juntos representam hoje 69,62% das opções para os produtores, mostrando um alto potencial genético das sementes de milho utilizadas na agricultura brasileira e uma necessidade de se aprimorar os sistemas de produção utilizados para melhor explorar o potencial genético dessas sementes.
As cultivares precoces representam 67,08% das opções de mercado, enquanto as hiper e as superprecoces representam 22,46%. Esta classificação quanto ao ciclo não é, entretanto, muito precisa.
Algumas empresas especificam apenas o plantio de verão (ou de safra normal) e a safrinha. Um maior número de empresas, entretanto, fornece mais informações, separando o plantio em cedo, normal, tardio e safrinha. Outro aspecto importante do milho safrinha é o ajuste na densidade de plantio. Como regra geral, a densidade é menor do que a recomendada para a safra normal, principalmente devido à menor disponibilidade hídrica que ocorre neste sistema de plantio.
Além da produção de grãos, há indicação de cultivares para produção de silagem de planta inteira, silagem de grãos úmidos e produção de milho verde. As características descritas nas Tabelas 1 e 2 são mais adequadas para cultivares de milho para a produção de grãos e de silagem. Para as cultivares de milho de uso especiais, como canjica, pipoca, doce e para a indústria de amido, o agricultor deverá verificar outras características importantes, de acordo com as exigências do consumidor ou da indústria processadora.
Com relação à textura do grão, verifica-se uma predominância de grãos semiduros (53,82%) e duros (25,47%) no mercado. Materiais dentados são minoria (5,7%) e geralmente são utilizados para a produção de milho verde ou produção de silagem.
Também é muito importante o conhecimento do comportamento das cultivares com relação às doenças. Na Tabela 2 são apresentadas informações sobre o comportamento das cultivares com relação às principais doenças, tais como: fusariose, ferrugem-comum - Puccinia sorghi, ferrugem-branca - Physopella zea, ferrugem-polisora - Puccinea polysora, mancha-branca (etiologia indefinida), helmintosporiose - Helminthosporium turcicum, Helminthosporium maydis, enfezamento, cercosporiose e doenças do colmo e dos grãos.
Cultivares transgênicas
Na safra atual, não se verificaram novos eventos transgênicos, mas houve uma mudança no perfil das cultivares disponibilizadas. Nesta safra 20 cultivares de milho transgênico deixaram de ser comercializadas (16 híbridos simples, 1 híbrido simples modificado e 3 híbridos triplos) e 57 novas versões transgênicas foram acrescentadas ao mercado (44 híbridos simples, 2 híbridos simples modificados e 11 híbridos triplos), mostrando a grande dinâmica na substituição de cultivares de milho no mercado. Atualmente, dentre as cultivares transgênicas, cerca de 74% são híbridos simples; 7% são híbridos simples modificados e cerca de 19% são híbridos triplos.
As cultivares transgênicas atualmente no mercado são resultantes de cinco eventos transgênicos para o controle de lagartas: o evento TC 1507, marca Herculex I ®; o evento MON 810, marca registrada YieldGard ®; o evento MON 89034 YieldGard VT PRO ®; o Agrisure TL ®, conhecido como Bt11; o evento MIR162, TL VIP ® e dois eventos transgênicos que conferem resistência ao herbicida glifosato aplicado em pós-emergência: o NK603, marca registrada Roundup Ready, e o GA 21 –TG.
Dentre as cultivares transgênicas para o controle de lagartas, existem:
47 cultivares com o evento Herculex ® ;
41 cultivares com o evento YieldGard®;
23 cultivares com o evento VT PRO®;
17 cultivares com o evento Agrisure TL ® e
2 cultivares com o evento TL VIP®.
Dentre as cultivares transgênicas com resistência ao herbicida glifosato aplicado em pós-emergência do milho, existem 15 com o gene Roundup Ready.
Existem 28 cultivares transgênicas para, simultaneamente, o controle de lagartas e com resistência ao herbicida glifosato aplicado em pós-emergência do milho:
17 cultivares com os eventos Herculex e Roundup Ready ;
9 cultivares com os eventos YieldGard e Roundup Ready;
1 cultivar com os eventos VT PRO e Roundup Ready e
1 cultivar com os eventos TL Agrisure e GA 21.
Embora as cultivares transgênicas que apresentam resistência ao herbicida glifosato tenham sido registradas no Zoneamento Agrícola de Risco Climático desde a safra passada, somente agora, na safra 2011/12, elas serão comercializadas no Brasil, uma vez que só agora há registro de herbicida a base de glifosato registrado no Brasil para a aplicação em pós-emergência da cultura do milho.
Das cultivares transgênicas, 139 cultivares (80,34%) apresentam versões convencionais, não transgênicas, que deveriam ser utilizadas preferencialmente nas áreas de refugio e na área de coexistência.
Cerca de 76,3% das cultivares transgênicas apresentam ciclo precoce, 21,9% são superprecoces e apenas 1,8% são semiprecoces.
As cultivares, convencionais ou transgênicas, que estão no comércio na safra 2010/11 e suas principais características e recomendações estão listadas nas Tabelas 1 e 2.