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Os resultados aqui discutidos evidenciam a importância de que, no manejo de fertilizantes, o conhecimento das demandas de nutrientes durante o ciclo da cultura contribuem para uma maior eficiência da adubação. Entretanto, para muitos agricultores, a facilidade de aplicação de fertilizantes via água de irrigação é que tem direcionado o parcelamento, principalmente das adubações potássica e nitrogenada, às vezes em número excessivo, sem levar em consideração a exigência da cultura em relação à curva de absorção e o potencial de perdas dos nutrientes em função de sua mobilidade nos diferentes tipos de solo.

AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL

· Sintomas de deficiências (diagnose visual)

Os sintomas de deficiência podem constituir, ao nível de campo, em elemento auxiliar na identificação da carência nutricional. E necessário, no entanto, para identificação da deficiência com base na sintomatologia, que o técnico já tenha razoável experiência de campo, uma vez que deficiências, sintomas de doenças e distúrbios fisiológicos podem ser confundidos.

A sintomatologia descrita e apresentada em forma de chave a seguir foi adaptada de Malavolta & Dantas (1987).

SINTOMAS INICIAIS NA PARTE INEERIOR DA PLANTA

· Com clorose

Amarelecimento da ponta para a base em forma de "V'; secamento começando na ponta das folhas mais velhas e progredindo ao longo da nervura principal; necrose em seguida e dilaceramento; colmos finos (Fotos 1 e 2) - Nitrogênio

Clorose nas pontas e margens das folhas mais velhas seguida por secamento, necrose ("queima) e dilaceração do tecido; colmos com internódios mais curtos; folhas mais novas podem mostrar clorose internerval típica da falta de ferro (Fotos 5, 6 e 7) - Potássio

As folhas mais velhas amarelecem nas margens e depois entre as nervuras dando o aspecto de estrias; pode vir depois necrose das regiões cloróticas; o sintoma progride para as folhas mais novas (Foto 8) - Magnésio

Faixas brancas ou amareladas entre a nervura principal e as bordas, podendo seguir-se necrose e ocorrer tons roxos; as folhas novas se desenrolando na região de crescimento são esbranquiçadas ou de cor amarelo-pálida; internódios curtos (Fotos 18 e 19) - Zinco

· Sem clorose

Cor verde-escura das folhas mais velhas seguindo-se tons roxos nas pontas e margens; o colmo também pode ficar roxo (Fotos 3 e 4) - Fósforo

Pequenas manchas brancas nas nervuras maiores, encurvamento do limbo ao longo da nervura principal
- Molibdênio

SINTOMAS INICIAIS NA PARTE SUPERIOR DA PLANTA

· Sem clorose

Folhas novas e recém-formadas com coloração amarelo-pálida ou verde suave. Ao contrário da deficiência de nitrogênio, os sintomas ocorrem nas folhas novas, indicando que os tecidos mais velhos não podem contribuir para o suprimento de enxofre para os tecidos novos, os quais são dependentes do nutriente absorvido pelas raízes (Foto 10) - Enxofre

· Com clorose

As pontas das folhas mais novas em desenvolvimento gelatinizam e, quando secas, grudam umas às outras; à medida que a planta cresce, as pontas podem estar presas. Nas folhas superiores aparecem, sucessivamente, amarelecimento, secamento, necrose e dilaceração das margens e clorose internerval (faixas largas); morte da região de crescimento (Foto 9) - Cálcio

Faixas alongadas aquosas ou transparentes que depois ficam brancas ou secas nas folhas novas; o ponto de crescimento morre; baixa polinização; quando as espigas se desenvolvem podem mostrar faixas marrons de cortiça na base dos grãos (Foto 11) - Boro

Amarelecimento das folhas novas logo que começam a se desenrolar, depois as pontas se encurvam e mostram necrose, as folhas são amarelas e mostram faixas semelhantes às provocadas pela carência de ferro; as margens são necrosadas; o colmo é macio e se dobra (Fotos 12 e 13) - Cobre

Clorose internerval em toda a extensão da lâmina foliar, permanecendo verdes apenas as nervuras (reticulado fino de nervuras) (Fotos 14 e 15) - Ferro

Clorose internerval das folhas mais novas (reticulado grosso de nervuras) e depois de todas elas quando a deficiência for moderada; em casos mais severos aparecem no tecido faixas longas e brancas e o tecido do meio da área clorótica pode morrer e desprender-se; colmos finos (Fotos 16 e 17) - Manganês.

Análise de plantas (diagnose foliar)

Além dos sintomas característicos de uma ou outra desordem que só se manifestam em casos graves, a identificação do nível nutricional da planta somente é possível pela análise química da mesma. O órgão de controle escolhido mais freqüentemente é a folha, pois a mesma é a sede do metabolismo e reflete bem, na sua composição, as mudanças na nutrição.

A utilização da análise foliar como critério diagnóstico baseia-se na premissa de existir uma relação significativa entre o suprimento de nutrientes e os níveis dos elementos, e que aumentos ou decréscimos nas concentrações se relacionam com produções mais altas ou mais baixas, respectivamente.

Para o milho, a folha inteira oposta e abaixo da primeira espiga (superior), excluída a nervura central, coletada por ocasião do aparecimento da inflorescência feminina (embonecamento) é comumente utilizada para avaliar o estado nutricional dessa cultura. A análise nesse estádio fisiológico é feita pelos seguintes motivos: a) o estádio de desenvolvimento e a posição da folha são facilmente reconhecidos; b) a remoção de uma simples folha não afeta a produção; e) o efeito de diluição dos nutrientes nessa fase é mínimo, porque o potencial de crescimento e armazenamento dos órgãos vegetativos atingiram o ponto máximo e, d) o requerimento de nutrientes é alto nessa fase. Normalmente recomenda-se a coleta de 30 folhas por hectare quando 50 a 75% das plantas apresentam-se com inflorescência feminina (embonecamento).

Para análise, as amostras de folhas devem ser lavadas por meio de imersão rápida em água desmineralizada para retirar a poeira devido à contaminação por alguns micronutrientes, principalmente ferro, manganês e zinco, e posteriormente secas ao sol ou em estufa a 60 °C.

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