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Nos últimos anos, notadamente a partir
do final de década de 90, as doenças
têm se tornado uma grande preocupação por parte de tédcnicos e
produtores
envolvidos no agronegócio do milho. Relatos de perdas na produtividade
devido ao ataque de patógenos têm sido frequentes nas principais regiões
produtoras do país. Nesse contexto, vale destacar a severa epidemia de
cercosporiose ocorrida na região Sudoeste do estado de Goiás no ano de
2000,
na qual foram registradas perdas superiores a 80% na produtividade.
É importante entendermos que a evolução das doenças do milho está
estreitamente relacionada à evolução do sistema de produção desta
cultura
do Brasil. Modificações ocorridas no sistema de produção, que
resultaram no
aumento da produtividade da cultura, foram, também, responsáveis pelo
aumento da incidência e da severidade das doenças. Desse modo, a
expansão
da fronteira agrícola, a ampliação das épocas de plantio (safra e
safrinha), a
adoção do sistema de plantio direto, o aumento do uso de sistemas de
irrigação, a ausência de rotação de cultura e o uso de materiais
suscetíveis
têm promovido modificações importantes na dinâmica populacional dos
patógenos, resultando no surgimento, a cada safra, de novos problemas
para a
cultura relacionados à ocorrência de doenças.
Dentre as doenças que atacam a cultura do milho no Brasil, merecem
destaque a mancha branca, a cercosporiose, a ferrugem polissora, a
ferrugem
tropical, os enfezamentos vermelho e pálido, as podridões de colmo e os
grãos ardidos. Além destas, nos últimos anos algumas doenças (como a
antracnose foliar e a mancha foliar de Diplodia), consideradas de menor
importância, têm ocorrido com elevada severidade em algumas regiões
produtoras. A importância destas doenças é variável de ano para ano e de
região para região, em função das condições climáticas, do nível de
suscetibilidade das cultivares plantadas e do sistema de plantio
utilizado. No
entanto, algumas das doenças são de ocorrência mais generalizada nas
principais regiões de plantio, como é o caso da mancha branca.
As principais medidas recomendadas para o manejo de doenças na cultura
do
milho são:
1) utilizar cultivares resistentes;
2) realizar o plantio em
época
adequada, de modo a evitar que os períodos críticos para a cultura
coincidam
com condições ambientais mais favoráveis ao desenvolvimento da doença;
3)
utilizar sementes de boa qualidade e tratadas com fungicidas;
4)
utilizar
rotação com culturas não suscetíveis;
5) rotação de cultivares; 6)
manejo
adequado da lavoura – adubação equilibrada (N e K), população de plantas
adequada, controle de pragas e de invasoras e colheita na época correta.
Essas medidas, além de trazerem um benefício imediato ao produtor por
reduzir o potencial de inóculo dos patógenos presentes na lavoura,
contribuem para uma maior durabilidade e estabilidade da resistência
genética presentes nas cultivares comerciais por reduzirem a população
de
agentes patogênicos. A mais atrativa estratégia de manejo de doenças é a
utilização de cultivares geneticamente resistentes, uma vez que o seu
uso não
exige nenhum custo adicional ao produtor, não causa nenhum tipo de
impacto
negativo ao meio ambiente, é perfeitamente compatível com outras
alternativas de controle e é, muitas vezes, suficiente para o controle
da
doença.
Para fins didáticos, as doenças do milho aqui abordadas serão agrupadas
de
acordo com o órgão da planta infectado, formando os seguintes grupos:
doenças foliares; podridões de colmo e das raízes; podridões de espigas
e de
grãos; e doenças sistêmicas.
Doenças foliares
Cercosporiose (Cercospora
zeae-maydis)
Importância
e Distribuição: A doença foi
observada inicialmente no Sudoeste do estado de Goiás em Rio Verde,
Montividiu, Jataí e Santa Helena, no ano de 2000. Atualmente a doença
está presente em praticamente todas as áreas de plantio de milho no
Centro Sul do Brasil. A doença ocorre com alta severidade em cultivares
suscetíveis, podendo as perdas serem superiores a 80%.
Sintomas: Os sintomas
caracterizam-se por
manchas de coloração cinza,
predominantemente retangulares, com as lesões desenvolvendo-se paralelas
às nervuras. Com o desenvolvimento dos sintomas da doença, pode ocorrer
necrose de todo o tecido foliar (Figura 1). Em situações de ataques
mais severos, as plantas tornam-se mais predispostas às infecções por
patógenos no colmo, resultando em maior incidência de acamamento de
plantas.
Fotos:
Luciano Viana Cota.
Figura 1.
Cercosporiose do milho (Cercospora zeae-maydis).
Epidemiologia: A
disseminação ocorre através de esporos e de restos de cultura levados
pelo vento e por respingos de chuva. Os restos de cultura são,
portanto, fonte de inóculo local e, também, para outras áreas de
plantio. A ocorrência de
temperaturas entre 25 e 30oC e de umidade relativa do ar
superior a 90% são
consideradas condições ótimas para o desenvolvimento da doença.
Manejo da
Doença: A principal medida de manejo da cercosporiose é a
utilização de cultivares resistentes. Além disso, recomenda-se: evitar
a permanência de restos da cultura de milho em áreas em que a doença
ocorreu com alta severidade para reduzir o inóculo do patógeno na área;
realizar a rotação com culturas não
hospedeiras como a soja, o sorgo, o girassol, o algodão e outras, uma
vez que o milho é o único hospedeiro de C. zeae-maydis; para evitar o aumento
do potencial de inóculo de C.
zeae-maydis, deve-se evitar o plantio seguido de milho na mesma
área; plantar cultivares diferentes em uma mesma área e em cada época
de plantio; realizar adubações de acordo com as recomendações técnicas
para evitar desequilíbrios nutricionais nas plantas, favoráveis ao
desenvolvimento
desse patógeno,
principalmente a relação
nitrogênio/potássio. Para que essas medidas sejam eficientes,
recomenda-se a sua aplicação regional (em macrorregiões) para evitar
que a doença volte a se manifestar a partir de inóculo trazido pelo
vento de lavouras vizinhas infectadas. Em áreas com plantio de
cultivares suscetíveis e sob condições ambientais favoráveis para a
ocorrência da doença, o controle químico deve ser avaliado como uma
opção para o manejo da doença.
Mancha branca
(etiologia indefinida)
Importância
e Distribuição: A mancha branca
é considerada, atualmente, uma das principais doenças da cultura do
milho no Brasil, estando presente em praticamente todas as regiões de
plantio de milho no Brasil. As perdas na produção podem ser superiores
a 60% em situações de ambiente favorável e de uso de cultivares
suscetíveis.
Sintomas:As
lesões da mancha branca são, inicialmente, circulares, aquosas e verde
claras (anasarcas). Posteriormente, passam a necróticas, de cor palha,
circulares a elípticas, com diâmetro variando de 0,3 a 1cm (Figura 2).
Geralmente, são encontradas dispersas no limbo foliar, mas iniciam-se
na ponta da folha progredindo para a base, podendo coalescer. Em geral,
os sintomas aparecem inicialmente
nas folhas inferiores, progredindo rapidamente para as
superiores, sendo mais severos após o pendoamento. Sob condições de
ataque severo, os sintomas da doença podem ser observados também na
palha da espiga. Em condições de campo, os sintomas não ocorrem,
normalmente, em plântulas de milho.
Epidemiologia:
A mancha branca é favorecida por temperaturas noturnas amenas (15 a 200C),
elevada umidade relativa do ar (>60%) e elevada precipitação. Os
plantios tardios favorecem elevadas severidades da doença devido à
ocorrência dessas condições climáticas durante o florescimento da
cultura, fase na qual as plantas são mais sensíveis ao ataque do
patógeno e os sintomas são mais severos.
Manejo da Doença: A principal
medida recomendada para o manejo da mancha branca é o uso de cultivares
resistentes. Atualmente, estão disponíveis no mercado
cultivares que apresentam excelente nível de resistência a essa doença,
como as cultivares da Embrapa BRS 1010 e BRS 1035. Outra medida
importante para o manejo da enfermidade é a escolha da época de
plantio. Deve-se optar por épocas de semeadura cujas condições
climáticas que favoreçam a doença não coincidam com a fase de
florescimento da cultura. Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, os
plantios tardios realizados a partir da segunda quinzena de novembro
até o final de dezembro favorecem a ocorrência da doença em elevadas
severidades. Portanto, recomenda-se, sempre que possível, antecipar a
época do plantio para a segunda quinzena de outubro ou o início de
novembro. O controle químico também é uma medida viável nas situações
em que são utilizadas cultivares suscetíveis, em regiões cujas
condições climáticas são favoráveis ao desenvolvimento da doença.
Foto: Fabrício Lanza.
Figura 2. Sintomas
da mancha branca do milho.
Ferrugem
Polissora (Puccinia polysora Underw.)
Importância
e Distribuição : No Brasil, foram determinadas perdas
superiores a 40% na produção de milho devido à ocorrência de epidemias
de ferrugem polissora. A doença está distribuída por toda a região
Centro-Oeste, pelo Noroeste de Minas Gerais, por São Paulo e por parte
do Paraná.
Sintomas: Os sintomas da ferrugem polissora são
caracterizados pela formação de
pústulas circulares a ovais, de coloração marron clara, distribuídas,
predominantemente, na face superior das folhas (Figura 3).
Foto:
Rodrigo Véras da Costa.
Figura 3. Sintomas
da ferrugem polissora no milho (Puccinia
polysora Underw).
Epidemiologia: A ocorrência da doença é
dependente da altitude, ocorrendo com maior intensidade em altitudes
abaixo de 700m, onde predominam temperatura mais elevadas (25 a 35oC).
A ocorrência de períodos prolongados de elevada umidade
relativa do ar também é
um fator importante para o
desenvolvimento da doença.
Manejo da
Doença: As principais medidas recomendadas para o manejo da
ferrugem polissora compreendem o uso de cultivares resistentes, a
escolha da época e do local de plantio, a aplicação de fungicidas em
situações de elevada pressão de doença e o uso de cultivares
suscetíveis.
Ferrugem
Comum (Puccinia sorghi)
Importância
e Distribuição: No Brasil, a doença tem ampla distribuição com
severidade moderada, tendo maior severidade nos estados da região Sul.
Sintomas: A ferrugem comum caracteriza-se pela
formação de pústulas em toda a parte aérea da planta, mas com maior
abundância nas folhas. As pústulas ocorrem
em ambas as superfícies da folha, sendo esta uma das características
que a diferencia da ferrugem polissora, cujas pústulas predominam na
superfície superior da folha. As pústulas da ferrugem comum apresentam
formato circular a alongado e coloração castanho clara a escuro, que se
acentua à medida em que as pústulas amadurecem e se rompem, liberando
os uredósporos, que são os esporos típicos do patógeno. Sob condições
ambientais favoráveis, as pústulas podem coalescer, formando grandes
áreas necróticas nas folhas (Figura 4).
Fotos:
Rodrigo Véras da Costa..
Figura 4. Sintomas
da ferrugem comum do milho: pústulas de coloração marrom claro
apresentando halo amarelado (A); coalescência de pústulas apresentando
necrose foliar e bordos arroxeados; detalhe do formato alongado das
pústulas (C).
Epidemiologia: A ocorrência de prolongados períodos de temperaturas
baixas (16 a 23°C), alta umidade relativa do ar (>90%) e chuvas
frequentes favorecem o
desenvolvimento da doença.
Tais condições são encontradas,
mais frequentemente, em locais de altitude elevada (>800m). Os
teliósporos produzidos pelo patógeno germinam e produzem basidiósporos,
os quais infectam plantas do gênero oxalis spp. (trevo), em que o
patógeno desenvolve o estágio aecial (fase reprodutiva). Desse modo, a
presença de plantas de trevo na área contribui para a sobrevivência e
para a disseminação do patógeno.
Manejo da
Doença: O uso de cultivares resistentes é a principal forma de
manejo da ferrugem comum. A escolha da época e de locais de plantio
menos favoráveis ao desenvolvimento da doença e a eliminação de
hospedeiros alternativos também contribuem para a redução da severidade
da doença. A aplicação de fungicidas é recomendada em situações de
elevada pressão de doença e uso de cultivares suscetíveis, quando a
doença surge nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura.
Ferrugem
Tropical ou Ferrugem Branca (Physopella zeae)
Importância
e Distribuição: No Brasil, a ferrugem tropical encontra-se
distribuída nas regiões Centro-Oeste e Sudeste (Norte de São Paulo). A
doença é mais severa em plantios contínuos de milho, principalmente em
áreas irrigadas.
Sintomas: A ferrugem branca caracteriza-se pela
formação de pústulas de formato
arredondado a oval, em pequenos grupos, de coloração esbranquiçada a
amarelada, na superfície superior da folha e recoberta pela epiderme.
Uma borda de coloração escura pode envolver o agrupamento de pústulas
(Figura 5).
Foto:
Rodrigo Véras da Costa.
Figura 5.
Pústulas de aspecto pulverulento
e coloração esbranquiçada
características da ferrugem branca do milho.
Epidemiologia: Os uredoóporos são o
inóculo primário e secundário, sendo transportados pelo
vento ou em material
infectado. Não são conhecidos
hospedeiros intermediários de P. zeae. A doença é favorecida por
condições de alta
temperatura (22-34°C), alta umidade relativa e baixas altitudes. Por
ser um
patógeno de menor exigência em termos de umidade, a severidade da doença
tende a ser a maior nos plantios de safrinha.
Manejo da
Doença: As principais medidas de manejo são: plantio de cultivares
resistentes; escolha da época e do local de plantio; evitar plantios
sucessivos de milho; e aplicação de fungicidas em situação de elevada
pressão de doença. Além
disso, recomendam-se a alternância de genótipos e a interrupção no
plantio durante certo período para que ocorra a morte dos uredósporos.
Helmintosporiose
(Exserohilum turcicum)
Importância e
Distribuição: No Brasil, as maiores severidades desta enfermidade
têm ocorrido em plantios de safrinha. Em situações favoráveis ao
desenvolvimento da doença, as perdas na produção podem chegar a 50%,
quando o ataque começa antes do período de floração.
Sintomas:
Os sintomas típicos da doença são lesões necróticas, elípticas, medindo
de 2,5 a 15cm de comprimento (Figura 6). A coloração do tecido
necrosado varia de cinza a marrom e, no interior das lesões, observa-se
intensa esporulação do
patógeno. As primeiras lesões aparecem, normalmente, nas folhas mais
velhas.
Foto:
Luciano Viana Cota.
Figura 6. Sintomas
da helmintosporiose (Exserohilum turcicum) em milho.
Epidemiologia: O patógeno apresenta boa
capacidade de sobrevivência em restos de cultura. A disseminação ocorre
pelo transporte de conídios pelo vento a longas
distâncias. Temperaturas moderadas (18-27°C) são favoráveis à doença,
bem como a ocorrência de longos períodos de molhamento foliar ou a
presença de orvalho. O patógeno tem como hospedeiros o sorgo, o capim
sudão, o sorgo de halepo e o teosinto. No entanto, isolados
provenientes do sorgo não são capazes de infectar plantas de milho.
Manejo da
Doença: O controle da doença é feito através do plantio de
cultivares com resistência genética. A rotação de culturas é também uma
prática recomendada para o manejo desta doença.
Mancha de
Bipolaris maydis (Bipolaris maydis )
Importância
e Distribuição: Esta doença encontra-se bem distribuída no Brasil,
porém com severidade entre baixa e média. Atualmente, em algumas áreas
das regiões Centro-Oeste e Nordeste, tem ocorrido com elevada
severidade em materiais suscetíveis.
Sintomas: O fungo B.
maydis possui duas raças descritas, “0” e “T”. A raça “0”,
predominante nas principais regiões produtoras, produz lesões
alongadas, orientadas pelas nervuras com margens castanhas e com forma
e tamanho variáveis (Figura 7). Embora as lesões sigam a orientação das
nervuras, as bordas das lesões não são tão bem definidas como ocorre no
caso da cercosporiose. As lesões
causadas pela raça “T”
são maiores, predominantemente elípticas e com coloração de
marrom a castanho, podendo haver formação de halo clorótico.
Foto:
Rodrigo Véras da Costa.
Figura 7. Sintomas
da mancha de Bipolaris maydis (Bipolaris maydis) em milho.
Epidemiologia: A sobrevivência ocorre
em restos culturais infectados e em grãos. Os conídios são
transportados pelo vento e por respingos de chuva. As condições ótimas
para o desenvolvimento da doença consistem em temperaturas entre 22 e
30°C e em elevada umidade relativa. A ocorrência de longos períodos de
seca e de dias com muito sol entre dias chuvosos é desfavorável à
doença.
Manejo da
Doença: O plantio de cultivares resistentes e a rotação de culturas
são as principais medidas recomendadas para o manejo dessa doença.
Mancha de
Bipolaris Zeicola (Bipolaris zeicola)
Importância
e Distribuição: Esta doença encontra-se bem distribuída no Brasil,
porém com severidade entre baixa e média. À semelhança do que foi
citado para a mancha de Bipolaris
Maydis, a doença tem ocorrido com elevada severidade em algumas
regiões do Centro-Oeste e do Nordeste.
Sintomas: Duas raças de B. zeícola são consideradas
predominantes no Brasil, raças 1 e 3. A raça 1 desse patógeno produz
lesões de coloração palha, formato de
circular a oval e com formação de anéis concêntricos (Figura 8). A raça
3 produz lesões bem distintas daquelas produzidas pela raça 1. As
lesões são estreitas e alongadas e com coloração castanho claro.
Foto:
Luciano Viana Cota.
Figura 8. Sintomas
da mancha de Bipolaris Zeicola (Bipolaris zeicola raça 1) em milho.
Epidemiologia: As condições ambientais
que favorecem a ocorrência da doença são
temperaturas moderadas e alta umidade relativa do ar. A sobrevivência
ocorre em restos culturais infectados e os conídios são transportados
pelo vento e por respingos de chuva.
Manejo da
doença: O plantio de cultivares resistentes e a rotação de culturas
são as principais medidas recomendadas para o manejo dessa doença.
Mancha foliar
de Diplodia (Stenocarpella macrospora)
Importância
e Distribuição: Esta doença está presente nos estados de Minas
Gerais, Goiás, São Paulo, Bahia e Mato Grosso e na região Sul do país.
Apesar de amplamente distribuída, a doença tem ocorrido com severidade
entre baixa e média até o momento.
Sintomas: As lesões são alongadas, grandes,
semelhantes às de Exserohilum turcicum. Diferem destas por apresentar,
em algum local da lesão, pequeno círculo
visível contra a luz (ponto de infecção). Podem alcançar até 10cm de
comprimento (Figura 9). Em
algumas situações, os
sintomas são caracterizados pela presença de lesões
estreitas e alongados (Figura 10). Apesar da variação sintomatológica,
em todos os casos é possível verificar o ponto de infecção pelo
patógeno.
Foto:
Rodrigo Véras.
Figura 9. Sintomas
da mancha foliar de Diplodia (Diplodia macrospora) em folha de milho.
Seta indicando ponto de Infecção.
Foto:
Rodrigo Véras da Costa.
Figura 10. Lesão estreita e
alongada de Diplodia macrospora. Seta indicando ponto de
Infecção.
Epidemiologia: A disseminação ocorre
através dos esporos e dos restos de cultura levados pelo vento e por
respingos de chuva. Os restos de cultura são fonte de inóculo local e
também contribuem para a disseminação da doença para outras áreas de
plantio. A ocorrência de temperaturas entre 25 e 30oC e de
elevada
umidade relativa do ar favorecem o desenvolvimento da doença.
Manejo da doença: O manejo da doença
pode ser feito através do uso de cultivares resistentes e da rotação
com culturas não hospedeiras.
Antracnose
foliar do milho (Colletotrichum graminicola)
Importância
e Distribuição:Com a ampla utilização do plantio direto, sem
rotação de culturas, e o aumento das áreas de plantio do milho na safra
e na safrinha, a antracnose tornou-se uma das doenças mais amplamente
distribuídas nas regiões produtoras de milho do Brasil. A doença pode
reduzir a produção do milho em até 40% em cultivares suscetíveis sob
condições favoráveis de ambiente. Um fator complicador relacionado à
ocorrência da antracnose é a inexperiência por parte da maioria dos
técnicos em reconhecer os sintomas dessa enfermidade no campo,
permitindo que ela ocorra em elevadas severidades, resultando em perdas
significativas à produção.
Sintomas: As lesões foliares são observadas em
plantas nos primeiros estágios vegetativos e, de modo geral, a
antracnose é a primeira doença foliar detectada no campo. Os sintomas
são caracterizados por lesões de coloração marrom escura e formato oval
a irregular, o que torna, às vezes, difícil seu diagnóstico.
Tipicamente, um halo amarelado circunda a área doente das folhas. Sob
condições favoráveis, as lesões podem coalescer, necrosando grande
parte do limbo foliar e surgem, no interior das lesões, pontuações
escuras que correspondem às estruturas de frutificação do patógeno,
denominadas acérvulos (Figura 11). Nas nervuras, são observadas lesões
elípticas de coloração marrom avermelhada que resultam numa necrose
foliar em formato de “V” invertido (Figura 12). Esses sintomas são
geralmente confundidos com os sintomas de deficiência de nitrogênio.
Foto: Rodrigo Véras da Costa.
Figura 11. Sintoma da
antracnose foliar do milho (Colletotrichum graminicola).
Fotos: Rodrigo Véras
da Costa.
Figura 12.
Sintomas da antracnose (Colletotrichum graminicola) na nervura e queima
foliar em formato de “V” invertido em plantas de milho.
Epidemiologia:A taxa de aumento da
doença é uma função da quantidade inicial de inóculo presente nos
restos de cultura, o que indica a importância do plantio direto e
do plantio em sucessão para o aumento do potencial de inóculo. Outro
fator a influir na quantidade da doença é a taxa de reprodução do
patógeno, que vai depender das condições ambientais a da própria raça
do patógeno presente. Temperaturas elevas (28 a 30oC),
elevada umidade relativa do ar e chuvas frequentes favorecem o
desenvolvimento da doença.
Manejo da doença: As principais medidas
recomendadas para o manejo da antracnose são o plantio de cultivares
resistentes, a rotação de cultura e evitar plantios sucessivos, as
quais são essenciais para a redução do potencial de inóculo do
patógeno presente nos restos de cultura.
Podridões do Colmo e das Raízes
Introdução
As podridões de colmo destacam-se, no
mundo, entre as mais importantes
doenças que atacam a cultura do milho por causarem redução de produção e
de qualidade de grãos e forragens. Sua ocorrência, no Brasil, tem
aumentado
significativamente nas últimas safras em todas as regiões de plantio. Os
plantios sucessivos, a ampla adoção do sistema de plantio direto sem
rotação
de culturas e a utilização de genótipos suscetíveis favorecem a
ocorrência da
doença em função da elevada capacidade dos patógenos de sobreviverem no
solo e em restos de cultura, resultando no rápido acúmulo de inóculo nas
áreas de cultivo. Incidência de podridão de colmo acima de 70% e perdas
de
produtividade em torno de 50% têm sido relatadas em cultivares
suscetíveis
sob condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento dos patógenos
causadores de podridões de colmo.
As podridões do colmo na cultura do milho
podem ocorrer antes da fase de
enchimento dos grãos, em plantas jovens e vigorosas, ou após a maturação
fisiológica dos grãos, em plantas senescentes. No primeiro caso, as
perdas se
devem à morte prematura das plantas com efeitos negativos no tamanho e
no
peso dos grãos, como consequência da redução na absorção de água e
nutrientes. No segundo caso, as perdas na produção se devem ao
tombamento
das plantas, o que dificulta a colheita mecânica e expõe as espigas à
ação de
roedores e ao apodrecimento pelo contato com o solo. O tombamento das
plantas é função do peso e da altura da espiga, da quantidade do colmo
apodrecida, da dureza da casca e da ocorrência de ventos.
As podridões de colmo apresentam estreita
relação com a ocorrência de vários
tipos de estresses durante o ciclo da cultura, os quais promovem
alterações
no balanço normal de distribuição de carboidratos na planta. Após as
fases de
polinização e fertilização, inicia-se o período de enchimento dos
grãos, que se
estende até a maturidade fisiológica. Nesta fase, as espigas tornam-se
os
drenos mais fortes na planta, assumindo grande demanda por açúcares e
outros carboidratos. Portanto, o “aparato” fotossintético, nesse
período, deve
funcionar plenamente para manter o adequado suprimento de carboidratos
para o enchimento dos grãos e para a manutenção dos tecidos do colmo e
das
raízes. Qualquer fator que interfira, negativamente, no processo de
fotossíntese nessa fase, como estresse hídrico, temperaturas elevadas,
desequilíbrios nutricionais, redução da radiação solar e perda de área
foliar
devido ao ataque de pragas e doenças, resulta em inadequado suprimento
de
carboidratos para enchimento dos grãos. Nesse caso, o colmo, que além da
função estrutural atua também como órgão de reserva, passa a ser a
principal
fonte de carboidratos para o enchimento dos grãos, via processo de
translocação. No entanto, a redução da atividade fotossintética e a
intensa
translocação de carboidratos do colmo para a espiga resultam num
enfraquecimento dos tecidos do colmo, tornando-os mais suscetíveis ao
ataque de patógenos causadores de podridão. Desse modo, é possível
afirmar
que qualquer fator que reduza a capacidade fotossintética e a produção
de
carboidratos predispõe as plantas à ocorrência da doença.
As podridões do colmo geralmente se iniciam
pelas raízes, passando para os
entrenós superiores ou diretamente pelo colmo, através de ferimentos.
De um
modo geral, não ocorrem uniformemente na área, sendo possível encontrar
plantas sadias ao lado de plantas apodrecidas.
Por serem os microorganimos causadores das
podridões do colmo capazes de
sobreviver nos restos de cultura e no solo, a adoção do sistema de
plantio
direto pode aumentar significativamente a quantidade de inóculo no solo,
tornando as lavouras de milho, nesse sistema de cultivo, mais sujeitas à
ocorrência das podridões em alta intensidade.
Vários são os patógenos causadores de
podridão de colmo em milho, incluindo
fungos e bactérias. No Brasil, os principais são Colletotrichum
graminicola,
Diplodia macrospora, Diplodia maydis, Fusarium graminearum, Fusarium
moniliforme e Macrophomina Phaseolina.
Antracnose do
colmo (Colletotrichum graminicola)
Etiologia:Essa
podridão, também denominada de antracnose do colmo, é causada pelo
fungo Colletotrichum graminicola. Esse fungo pode infectar
todas as partes da
planta de milho, resultando em diferentes sintomas nas folhas, no
colmo, na espiga, nas raízes e no pendão.
Sintomas:
Embora o patógeno possa infectar as plantas nas fases iniciais de seu
desenvolvimento, os sintomas são mais visíveis após o florescimento. A
podridão do colmo é caracterizada pela formação, na casca, de lesões
encharcadas, estreitas, elípticas na vertical ou ovais. Posteriormente,
essas lesões tornan-se marrom avermelhadas e, finalmente,
marrom-escuras a negras (Figura 13). As lesões podem coalescer,
formando extensas áreas necrosadas de coloração escura brilhante. O
tecido interno do colmo apresenta, de forma contínua e uniforme,
coloração marrom escura, podendo se desintegrar, levando a planta à
morte prematura e ao acamamento (Figura 14).
Foto:
Luciano Viana Cota.
Figura 13.
Sintomas da antracnose do colmo do milho.
Foto: Luciano Viana
Cota.
Figura 14. Fileira
de plantas de milho apresentado
sintomas da antracnose do colmo.
Epidemiologia:
C. graminicola pode sobreviver em restos de
cultura ou em sementes, na forma de micélio e conídios. A disseminação
dos conídios se dá por respingos de chuva. A infecção do colmo pode
ocorrer pelo ponto de junção das folhas com o colmo ou através de
raízes. A antracnose é favorecida por longos períodos de altas
temperaturas e umidade, principalmente na fase de plântula e após o
florescimento. As perdas de produção, dependendo do híbrido e das
condições ambientais, podem chegar a 40%.
Podridão de Diplodia
Etiologia:
Essa podridão pode ser causada por duas espécies de fungos do gênero
Stenocarpella,
Stenocarpella maydis (= Diplodia maydis) e Stenocarpella macrospora (= Diplodia macrospora), os mesmos agentes
causais da podridão branca das espigas. A espécie S. macrospora pode, também, causar
lesões foliares em milho conforme descrito anteriormente. S. maydis difere de S. macrospora por apresentar
conídios duas vezes menores e por não causar lesões foliares.
Sintomas:
Plantas infectadas por esses fungos apresentam, externamente, próximo
aos entrenós inferiores, lesões marrom claras, quase negras, nas quais
é possível observar a presença de pequenos pontinhos negros
(picnídios). Internamente, o tecido da medula adquire coloração marrom,
pode se desintegrar,
permanecendo intactos somente os vasos lenhosos sobre os quais é
possível observar a presença de picnídios (Figura 15).
Foto:
Nicésio F. F. A. Pinto.
Figura 15.
Sintomas da podridão do colmo do milho causada por Stenocarpela spp.
(=Diplodia spp.) .
Epidemiologia:
As podridões do colmo causadas por Stenocarpella spp. são favorecidas
por temperaturas entre 28 e 30oC e alta umidade,
principalmente na forma de chuva. Esses patógenos sobrevivem nos restos
de cultura na forma de
picnídios e nas sementes na forma de picnídios ou de micélio.
Apresentam como único hospedeiro o milho, o que torna a rotação de
culturas uma medida eficiente para o manejo dessa doença. A
disseminação dos conídios pode ocorrer pela ação da chuva ou do vento.
Podridão de Fusarium
Etiologia:
Essa doença é causada por várias espécies do gênero Fusarium spp., entre elas F. moniliforme e F. graminearum, que também causam
podridões de espigas.
Sintomas:
Em plantas infectadas, o tecido dos entrenós inferiores geralmente
adquire coloração avermelhada, que progride de forma uniforme e
contínua da base em direção à parte superior da planta (Figura 16).
Embora a infecção do colmo possa ocorrer antes da polinização, os
sintomas só se tornam visíveis logo após a polinização e aumentam em
severidade à medida em que as plantas entram em senescência. A infecção
pode começar pelas raízes e é favorecida por ferimentos causados por
nematóides ou pragas subterrâneas.
Foto: Fernando
Tavares
Fernandes.
Figura 16. Podridão
do colmo causada por Fusarium spp.
Epidemiologia:
Esse patógeno é um fungo de solo capaz de sobreviver nos restos de
cultura na forma de micélio e apresenta várias espécies vegetais como
hospedeiro alternativo, o que torna a medida de rotação de culturas
pouco eficiente. Frequentemente, pode ser encontrado associado às
sementes. A disseminação dos conídios se dá através do vento ou da
chuva.
Podridão de Macrophomina
Etiologia:
Essa doença é causada pelo fungo Macrophomina
phaseolina, um patógeno capaz de causar podridões em mais de 500
espécies de plantas, incluindo as podridões de colmo nas culturas do
milho e do sorgo.
Sintomas:
A infecção das plantas inicia pelas raízes. Embora essa infecção possa
ocorrer nos primeiros estádios de desenvolvimento da planta, os
sintomas são visíveis nos entrenós inferiores após a polinização.
Internamente, o tecido da medula se desintegra, permanecendo intactos
somente os vasos lenhosos (Figura 17) sobre os quais é possível
observar a presença de numerosos pontinhos negros
(escleródios) que conferem, internamente ao colmo, uma cor cinza típica.
Foto:
Nicésio F. F. A.
Pinto.
Figura 17.
Sintomas da podridão do colmo causada por Macrophomina phaseolina.
Epidemiologia:
A podridão por Macrophomina é
favorecida por altas temperaturas (37°C) e por baixa umidade no solo. A
sobrevivência de M. phaseolina
no solo, bem
como sua disseminação, ocorre na forma de escleródios. Esse fungo
apresenta
um grande número de hospedeiros, inclusive o sorgo e a soja, o que
torna a
rotação de culturas uma medida de controle pouco eficiente.
Podridão por
Pythium
Etiologia:
É causada pelo fungo Pythium
aphanidermatum. Essa podridão não é tão
comum quanto aquelas causadas por C.
graminicola, Stenocarpella spp.
e Fusarium spp. e ocorre em
condições de umidade excessiva no solo.
Sintomas:
Os sintomas iniciais dessa podridão são caracterizados por lesões do
tipo aquosa semelhantes às causadas por bactérias. A diferença é que,
nesse caso,
a podridão permanece, tipicamente, restrita ao primeiro entrenó acima
do solo (Figura 18), enquanto que nas bacterioses podem atingir vários
entrenós. Inicialmente, nota-se uma alteração da cor dos tecidos,
variando de marrom claro a escuro e com aspecto encharcado. Com a
evolução dos sintomas, os tecidos internos do colmo se desintegram,
resultando num estrangulamento do colmo na região. As plantas, antes de
tombarem, geralmente sofrem uma torção característica. Plantas tombadas
permanecem verdes por algum tempo, visto que os vasos lenhosos
permanecem intactos. Esse patógeno pode atacar tecidos novos, verdes e
fisiologicamente ativos.
Foto: Fernando Tavares
Fernandes.
Figura 18.
Sintomas da podridão do colmo causada por Pythium aphanidermatum.
Epidemiologia:
Esse fungo sobrevive no solo, apresenta elevado número de espécies
vegetais hospedeiras e é capaz de infectar plantas de milho jovens e
vigorosas antes do florescimento. Essa podridão é favorecida por
temperaturas em torno de 32oC e alta umidade no solo,
proporcionada por prolongados períodos de chuva ou irrigação excessiva.
Podridões
bacterianas
Etiologia:
Várias espécies de bactérias do gênero Pseudomonas spp. e Erwinia spp.
causam podridões do colmo em plantas de milho, sendo a mais comum a
espécie Erwinia chrysanthemi pv. zeae.
Assim como a podridão causada por P.
aphanidermatum,
as podridões bacterianas não ocorrem com elevada frequência e são
restritas a ambientes caracterizados pelo excesso de umidade no solo.
Sintomas:
As podridões causadas por bactérias são do tipo aquosas e especialmente
aquelas causadas por Erwinia
chrysanthemi pv. zeae exalam um odor desagradável típico. Em
geral, iniciam-se nos entrenós próximos ao solo e rapidamente atingem
os entrenós superiores. A infecção causada por E. chrysanthemi pv. zeae pode, também,
iniciar pela parte superior do colmo, causando a podridão do cartucho.
Os sintomas típicos dessa doença são a murcha e a seca das folhas
decorrentes de uma podridão aquosa na base do cartucho. As folhas se
desprendem facilmente e exalam um odor desagradável (Figura 19). Nas
bainhas das outras folhas, pode-se observar a presença de lesões
encharcadas (anasarcas). Podem ocorrer o apodrecimento dos entrenós
inferiores ao cartucho e a murcha do restante da planta. Ferimentos no
cartucho causados por insetos podem favorecer a incidência dessa
podridão.
Fotos: Rodrigo Véras da Costa.
Figura 19. Sintomas
da podridão bacteriana do cartucho do milho (Erwinia chrysanthemi
pv. zeae).
Epidemiologia:Essas podridões são
favorecidas por altas temperaturas associadas a altos teores de umidade.
Podridão de
raizes
Etiologia:
As podridões de raízes podem ser causadas por um complexo de patógenos
envolvendo várias espécies de fungus dos gêneros Fusarium spp., Pythium spp. e Rhizoctonia spp. Além disso,
bactérias, nematóides e insetos que se
alimentam das raízes podem estar associados às podridões radiculares.
Sintomas:
Os sintomas típicos das podridões radiculares incluem o aparecimento de
lesões de coloração escuras e, consequentemente, de raízes apodrecidas
(Figura 20). Os sintomas na parte aérea são enfezamento, cloroses,
murcha e redução da produtividade devido à menor absorção de água e
nutrientes (Figura 21). Em alguns casos, podem evoluir e atingir os
tecidos do colmo.
Foto: Fernando Tavares
Fernandes.
Figura 20.
Sintomas da podridão radicular em plantas de milho.
Foto: Rodrigo Véras da
Costa .
Figura 21. Podridão
de raízes e colmo (A) e sintomas na parte aérea da planta (B).
Manejo das podridões de colmo e de
raízes
Não existe uma medida única recomendada
para o controle das podridões de
colmo e de raízes em milho. Para se obter sucesso no manejo dessas
doenças,
um conjunto de medidas devem ser executadas de forma integrada. A
primeira e, talvez, a mais importante é a escolha correta da cultivar.
Nesse
caso, deve ser dada preferência para híbridos que apresentem, além de
alta
produtividade, satisfatória resistência no colmo. Resultados obtidos
pela
Embrapa Milho e Sorgo demonstram a existência de variabilidade quanto à
resistência à podridão de colmo e raízes em genótipos de milho. Outros
critérios, como adubação equilibrada, principalmente quanto à relação
N/K,
manejo de irrigação, controle de pragas, de plantas daninhas e de
doenças,
densidade de plantas, época de plantio e colheita, são de fundamental
importância e devem ser considerados num programa de manejo dessas
podridões na cultura do milho.
A ocorrência de podridão de colmo não necessariamente resulta em
tombamento de plantas no campo. Entretanto, alguns pontos devem ser
considerados. A realização da colheita no momento adequado é um dos
principais fatores que devem ser observados em campos de produção
apresentando sintomas da doença. Para isso, o monitoramento da lavoura
passa a ser de fundamental importância. O exame de campo consiste em
avaliar, além dos sintomas na casca, a firmeza do colmo. Nesse caso, a
avaliação é feita pressionando-se, com os dedos, o primeiro e/ou o
segundo
entrenó do colmo acima do solo. Colmos sadios são firmes e a casca
oferece
forte resistência à pressão dos dedos. Em colmos apodrecidos, a casca
cede
facilmente quando pressionada devido à desintegração dos tecidos
vasculares.
Alguns híbridos apresentam a casca bastante resistente, o que impede o
tombamento da planta, mesmo quando os tecidos internos apresentam-se
apodrecidos. No entanto, a resistência da casca pode não ser suficiente
para
evitar o tombamento se a colheita for retardada e as plantas forem
expostas a
condições adversas como ventos e chuvas fortes. Recomenda-se que campos
apresentando entre 15 e 20% de podridão de colmo, de acordo com as
avaliações descritas acima, sejam colhidos o mais breve possível para
evitar
perdas devido ao acamamento de plantas.
Recentemente, grande ênfase tem sido dada
ao uso de fungicidas na cultura
do milho para o manejo de doenças. No entanto, existe pouca informação
sobre a eficiência desses produtos sobre os patógenos causadores de
podridão
no colmo. Resultados recentes da Embrapa Milho e Sorgo sugerem um efeito
indireto da aplicação de fungicidas no controle dos patógenos
causadores de
podridões. Desse modo, o uso de fungicidas, por promover uma melhor
sanidade foliar e preservar a capacidade fotossintética das plantas,
resulta,
indiretamente, numa menor necessidade de translocação de nutrientes do
colmo para a espiga, impedindo ou reduzindo sua senescência precoce.
Podridões de espiga e grãos ardidos
Os
grãos de milho podem ser danificados por
fungos em duas condições específicas, isto é, em pré-colheita
(podridões de espigas com a formação de grãos ardidos) e em
pós-colheita dos grãos durante o beneficiamento, o armazenamento e o
transporte (grãos mofados ou embolorados). No processo de colonização
dos grãos, muitas espécies de fungos, denominados toxigênicos, podem,
além dos danos físicos (descolorações dos grãos, reduções nos conteúdos
de carboidratos, de proteínas e de açúcares totais), produzir
substâncias tóxicas denominadas micotoxinas. É importante ressaltar que
a presença do fungo toxigênico não implica, necessariamente, na
produção de micotoxinas, as quais estão intimamente relacionadas à
capacidade de biossíntese do fungo e das condições ambientais
predisponentes, como a alternância das temperaturas diurna e noturna.
Podridão branca da espiga
A podridão branca da espiga é causada pelos
fungos Stenocarpela maydis
(=Diplodia maydis) e Stenocarpela macrospora (=Diplodia
macrospora). Os
sintomas são caracterizados pela presença de um crescimento micelial
denso
e compacto, de coloração branca entre os grãos, que iniciam,
normalmente,
pela base das espigas (Figura 22). As espigas atacadas são mais leves e
podem
ser totalmente apodrecidas. Uma característica específica dessa doença
é o
aparecimento de inúmeras pontuações de coloração escura nos grãos e no
ráquis das espigas, que correspondem aos picnídios dos patógenos, os
quais
servem como fonte de inóculo para os próximos plantios.
Uma característica peculiar entre as duas
espécies de Stenocarpella spp. é
que apenas a S. macrospora ataca as folhas do milho. A
precisa distinção
entre estas espécies só é possível mediante análises microscópicas,
pois,
comparativamente, os esporos de S. macrospora são maiores e
mais alongados
do que os de S. maydis. Esses patógenos sobrevivem no solo
através dos
esporos no interior dos picnídios e nos restos de cultura contaminados
e, nas
sementes, na forma de esporos e de micélio dormente, as quais
constituem as
fontes primárias de inóculo para a infecção das espigas. Cultivares
cujas
espigas são mal empalhadas, que possuem palhas frouxas ou que não se
dobram após a maturidade fisiológica são as mais suscetíveis. A alta
precipitação pluviométrica na época da maturação dos grãos favorece o
aparecimento da doença. A evolução da podridão praticamente cessa quando
o teor de umidade dos grãos atinge 21 a 22% em base úmida. O manejo
integrado para o controle desta podridão de espiga envolve a utilização
de
cultivares resistentes, de sementes livres dos patógenos, da destruição
de
restos culturais infectados e da rotação de culturas, visto que o milho
é o
único hospedeiro destes patógenos.
Foto: Rodrigo Véras da
Costa.
Figura 22. Sintomas
da podridão branca da espiga.
Podridão de Fusarium
Essa podridão é causada por duas espécies
de fungos, Fusarium moniliforme e
Fusarium subglutinans. Esses patógenos apresentam
elevado número de
plantas hospedeiras, sendo, por isso, considerados parasitas não
especializados. A infecção pode iniciar pelo topo ou por qualquer outra
parte
da espiga, mas sempre associada a alguma injúria (insetos, pássaros).
Os grãos
infectados apresentam, normalmente, uma alteração de cor que varia do
róseo ao marrom escuro e, em algumas situações, também apresentam
estrias
de coloração branca no pericarpo. Com o desenvolvimento do patógeno,
observa-se, sobre os grãos, um crescimento cotonoso de coloração clara a
avermelhada, correspondente ao micélio do fungo (Figura 23). Quando a
infecção ocorre através do pedúnculo da espiga, todos os grãos podem ser
infectados, mas a infecção só desenvolverá naqueles que apresentarem
alguma injúria no pericarpo. O desenvolvimento dos patógenos nas
espigas é
paralisado quando o teor de umidade dos grãos atinge 18 a 19% em base
úmida. Embora esses fungos sejam frequentemente isolados das sementes,
estas não são a principal fonte de inóculo. Como estes fungos possuem a
fase
saprofítica ativa, sobrevivem e se multiplicam na matéria orgânica, no
solo,
sendo esta a fonte principal de inóculo.
Foto: Nicésio F.J.A.
Pinto.
Figura 23. Sintomas
da podridão da espiga por Fusarium
(Fusarium moniliforme).
Podridão de Giberela
Esta podridão de espiga, causada pelo fungo
Gibberella zeae (forma
imperfeita Fusarium graminearum), é mais comum em regiões de
clima
ameno e de alta umidade relativa. A ocorrência de chuvas após a
polinização
propicia a ocorrência desta podridão de espiga, que começa com uma massa
cotonosa avermelhada na ponta da espiga e pode progredir para a base
(Figura 24). É comum as palhas estarem firmemente ligadas às espigas
devido
ao excessivo crescimento micelial do fungo entre as brácteas e os grãos.
Ocasionalmente, esta podridão pode iniciar na base e progredir para a
ponta
da espiga, confundindo o sintoma com aquele causado por F.
moniliforme ou
F. subglutinans. Chuvas frequentes no final do
desenvolvimento da cultura,
principalmente em lavoura com cultivar cujas espigas não dobram,
aumentam
a incidência desta podridão. Este fungo sobrevive nas sementes na forma
de
micélio dormente.
Foto: Nicésio F.J.A. Pinto.
Figura 24. Podridão
da espiga por Giberela (Giberela
zeae).
Grãos ardidos
O termo grãos ardidos refere-se aos grãos
produzidos em espigas que sofreram um processo de podridão. São
considerados ardidos os grãos que apresentam, pelo menos, um quarto de
sua superfície com descolorações variando de marrom claro, marrom
escuro, roxo, vermelho claro a vermelho escuro (Figura 25). Os
principais patógenos causadores de grãos ardidos são Stenocarpela
maydis (=Diplodia maydis), Stenocarpela macrospora
(=Diplodia macrospora), Fusarium moniliforme, F.
subglutinans e Gibberella zeae. Ocasionalmente, no campo, há
produção de grãos ardidos pelos fungos do gênero Penicillium spp.
e Aspergillus spp. Os fungos G. zeae e S.
maydis são mais frequentes nos estados do Sul do Brasil e F.
moniliforme, F. subglutinans e Diplodia macrospora nas
demais regiões produtoras de milho. Como padrão de qualidade, tem-se
adotado, em algumas agroindústrias, a tolerância máxima de 6% de grãos
ardidos em lotes comerciais de milho.
Foto: Rodrigo Véras da Costa.
Figura 25. Comparação
de amostras de grãos de milho ardidos (A) e sadios (B).
Micotoxinas
Micotoxinas são metabólitos secundários
tóxicos produzidos por fungos, tanto
na fase de pré-colheita (ainda no campo), quanto na fase de
armazenamento
dos grãos. As principais micotoxinas encontradas nos grãos de milho são
aflotoxinas (Aspergillus flavus e A. parasiticus),
fumonizinas (Fusarium
moniliforme), zearalenona (Fusarium graminearum),
ocratoxina A (Aspergillus
spp. e Penicillium spp.) e desoxinivalenol (F. graminearum).
É importante
ressaltar que a presença dos fungos toxigênicos não implica,
necessariamente,
na existência de micotoxinas nos grãos.
A produção de micotoxinas depende, além da
capacidade de biossíntese dos
fungos, das condições de ambiente, como a alternância de temperaturas
diurna e noturna. Os fungos do gênero Fusarium spp. têm uma
faixa de
temperatura ótima para o seu desenvolvimento situada entre 20 e 25oC.
Contudo, suas toxinas são produzidas em condições de baixas
temperaturas, o
que indica que esses fungos produzem as toxinas quando submetidos a
choque
térmico, principalmente com alternância das temperaturas diurna e a
noturna. Para a produção de zearalenona, a temperatura ótima está em
torno
de 10-12°C.
As doenças causadas pela ingestão de
alimentos (grãos, rações, carnes etc.) contaminados com micotoxinas são
denominadas micotoxicoses. As
micotoxicoses podem causar, tanto em animais quanto no homem, danos
como redução no crescimento, interferência no funcionamento de órgãos
vitais do organismo, produção de tumores malignos etc.. Dentre as
micotoxinas, as aflotoxinas são as que possuem maior potencial de danos
à
saúde humana devido à sua elevada toxicidade e à ampla ocorrência, além
de
serem consideradas como de elevado potencial carcinogênico. Outro grupo
de
micotoxinas que merece destaque é o das fumonisinas, que têm sido
relacionadas à ocorrência de câncer de esôfago em humanos.
Controle das podridões de espiga e de
grãos ardidos
Para se obter um manejo eficiente da
ocorrência das podridões de espiga e de
grãos ardidos na cultura do milho, várias medidas devem ser adotadas de
forma integrada, como: utilização de cultivares com maior nível de
resistência
aos principais patógenos que atacam as espigas, como os pertencentes aos
gêneros Fusarium spp. e Stenocarpella spp.;
realizar, sempre que possível, a
rotação de culturas para reduzir o potencial de inóculo dos patógenos;
evitar
plantios sucessivos de milho; utilizar sementes sadias e densidade de
plantio
adequada do cultivar plantado; dar preferência a cultivares com espigas
decumbentes (que viram para baixo após a maturação fisiológica); e
evitar
atraso na colheita. A eficiência do controle químico para manejo de
grãos
ardidos em milho ainda é motivo de dúvidas quanto à eficiência de
produtos,
à época e ao número de aplicações e sua relação com a resistência dos
cultivares. A Embrapa Milho e Sorgo vem realizando trabalhos nessa linha
visando a obter informações mais precisas quanto aos fatores acima
mencionados.
Doenças sistêmicas
Enfezamentos
Importância e distribuição
Os enfezamentos do milho (doenças
sistêmicas associadas a infecções dos
tecidos do floema das plantas) são considerados doenças importantes para
essa cultura no Brasil pelas perdas elevadas na produtividade e por sua
ampla
ocorrência nas principais regiões produtoras de milho. Os plantios
tardios e de
safrinha (iniciados a partir de meados de janeiro) contribuem para o
aumento
da incidência e das perdas causadas pelos enfezamentos devido ao aumento
da população do inseto vetor nesta época. Esse fato pode ser agravado em
sistemas de plantios sucessivos de milho.
Etiologia
Os enfezamentos são causados por patógenos
pertencentes à classe dos
Mollicutes, cuja transmissão é realizada de forma
persistente e propagativa
pela cigarrinha Dalbulus maidis. O enfezamento pálido é
causado por um
procarionte pertencente à espécie Spiroplasma kunkelli. O
enfezamento
vermelho é causado por procarionte pertencente ao gênero Phytoplasma,
denominado pelo nome comum fitoplasma.
Sintomatologia
Enfezamento vermelho:
Os sintomas típicos dessa doença são o avermelhamento das folhas, a
proliferação de espigas, produção de espigas pequenas, perfilhamento na
base
da planta e nas axilas foliares, encurtamento dos entrenós, incompleto
enchimento de grãos e seca precoce das plantas (Figura 26 e 27).
Enfezamento pálido:
Os sintomas característicos são estrias esbranquiçadas irregulares na
base das
folhas, que se estendem em direção ao ápice. Em alguns casos,
observa-se um
amarelecimento das plantas e o surgimento de áreas avermelhadas nas
folhas
apicais. Normalmente, as plantas são raquíticas devido ao encurtamento
dos
entrenós, podendo haver uma proliferação de espigas pequenas e sem grãos
(Figuras 28 e 29). Quando há produção de grãos, eles são pequenos,
manchados e frouxos na espiga. As plantas podem secar precocemente.
Em ambos os casos, os sintomas são mais evidentes na fase de enchimento
dos
grãos. A identificação precisa dos enfezamentos com base apenas nos
sintomas, no campo, nem sempre é uma tarefa fácil, tornando-se
necessário o
uso de exames laboratoriais para a correta diagnose.
Epidemiologia:
Os Molicutes, Spiroplasma kunkelli e Phytoplasma
ocorrem somente em
células do floema de plantas doentes de milho e são transmitidos de
forma
persistente e propagativa pela cigarrinha Dalbulus maidis,
que, ao se
alimentar em plantas doentes, adquire os molicutes e os transmitem para
as
plantas sadias. O período latente entre a aquisição dos patógenos e a
sua
transmissão pela cigarrinha varia de três a quatro semanas. A
incidência e a
severidade dessas doenças são influenciadas pelo grau de
suscetibilidade da
cultivar, pela época de semeadura (semeaduras tardias favorecem a
doença),
pela temperatura e umidade e pela população do inseto vetor. A
ocorrência
de temperatura e umidade elevadas e a alta densidade populacional de
cigarrinhas, coincidentes com fases iniciais de desenvolvimento da
lavoura de
milho, favorecem o desenvolvimento da doença em elevada severidade. O
milho é o único hospedeiro conhecido da cigarrinha Dalbulus maidis.
Controle:
O controle mais eficiente dos enfezamentos consiste na utilização de
cultivares resistentes. Outras práticas recomendadas para o manejo
dessas
doenças são: evitar semeaduras sucessivas de milho; fazer o pousio por
período de dois a três meses sem a presença de plantas de milho; e
alterar a
época de semeadura, evitando-se a semeadura tardia da cultura. O uso de
inseticidas para o controle do inseto vetor não tem apresentado
eficiência
satisfatória na redução da incidência dos enfezamentos.
Foto: Rodrigo Véras
da Costa .
Figura 26. Sintomas
do enfezamento vermelho em planta de milho.
Foto: Rodrigo Véras da Costa.
Figura 27. Campo
apresentando elevada incidência de plantas com
Enfezamento.
Foto: Rodrigo Véras da Costa.
Figura 28. Sintomas
do enfezamento pálido em planta de milho.
Foto: Rodrigo Véras da Costa.
Figura 29. Detalhe
das estrias esbranquiçadas irregulares, na base das folhas,
que se estendem em direção ao ápice.
Míldio (Peronosclerospora
sorghi)
Etiologia:Existem
vários organismos causadores de míldio que afetam a cultura do milho,
mas o míldio comumente observado em milho, nas condições brasileiras, é
causado pelo mesmo organismo que causa o míldio do sorgo, ou seja, Peronosclerospora
sorghi.
Sintomas:Plantas
de milho sistemicamente infectadas por P. sorghi, o agente
causal do míldio em milho, caracterizam-se por serem cloróticas,
algumas vezes enfezadas, podendo apresentar folhas com estrias
esbranquiçadas e que não chegam a produzir sementes (Figura 30). A área
clorótica da folha sempre inclui a base da lâmina foliar, com margens
transversas bem definidas entre tecidos doentes e sadios.
Foto: Carlos Roberto Casela.
Figura 30. Míldio
em milho: sintomas típicos de deformação do pendão,
aparecimento de folhas estreitas e eretas e com presença de estrias
esbranquiçadas.
Epidemiologia:Na
superfície das folhas infectadas, ocorre a produção de esporângios
(conídios) com temperatura ótima de produção entre 24 e 26°C. Alta taxa
de infecção sistêmica ocorre quando o milho é cultivado em temperaturas
variando de 11 a 32°C e períodos de molhamento foliar superior a 4
horas.
Controle:
As principais medidas recomendadas para o manejo do míldio na cultura do
milho são: utilização de cultivares resistentes; rotação com culturas
não
hospedeiras; enterrio dos restos culturais para eliminação de oósporos;
e
tratamento de sementes com fungicidas à base de metalaxyl.
Viroses
Rayado Fino (Maize Rayado Fino
Virus)
Importância e distribuição: A virose
Rayado Fino, também denominada risca, pode reduzir a produção de grãos
em até 30% e ocorre nas principais regiões produtoras de milho. Essa
doença é transmitida e disseminada pela cigarrinha Dalbullus maidis.
Sintomas: Os sintomas característicos são
riscas formadas por numerosos pontos cloróticos coalescentes ao longo
das nervuras, que são facilmente observados quando as folhas são
colocadas contra a luz (Figura 31).
Epidemiologia:O vírus Rayado Fino ocorre
sistemicamente na planta de milho e é transmitido de forma persistente
propagativa pela cigarrinha Dalbullus maidis que, ao se
alimentar de plantas doentes, adquire o vírus e o transmite para
plantas sadias. O período latente entre a aquisição desse vírus e sua
transmissão varia de 7 a 37 dias. A incidência e a severidade dessa
doença são influenciadas por grau de suscetibilidade da cultivar, por
semeaduras tardias e por população elevada de cigarrinha coincidente
com fases iniciais de desenvolvimento da lavoura de milho. O milho é o
principal hospedeiro tanto do vírus como da cigarrinha.
Controle: O método mais eficiente e
econômico para controlar o vírus Rayado Fino é a utilização de
cultivares resistentes. Práticas culturais recomendadas que reduzem a
incidência dessa doença no milho são: eliminação de plantas voluntárias
de milho; fazer o pousio por um período de dois a três meses sem a
presença de plantas de milho; alterar a época de semeadura evitando as
semeaduras tardias e sucessivas de milho. A aplicação de inseticidas
para o controle dos vetores não tem sido um método muito efetivo no
controle dessa virose.
Foto: Carlos Roberto
Casela.
Figura 31.
Sintomas do Rayado Fino em folha de milho.
Mosaico comum do milho (Sugarcane
Mosaic Virus - SCMV)
Importância e distribuição: O mosaico comum
do milho ocorre, praticamente, em toda região onde se cultiva o milho.
Calcula-se que essa doença pode causar uma redução na produção de 50%.
Sintomas: Os sintomas caracterizam-se pela
formação nas folhas de manchas verde claras com áreas verde normal,
dando um aspecto de mosaico (Figura 32). As plantas doentes são,
normalmente, menores em altura e em tamanho de espigas e de grãos.
Epidemiologia: A
transmissão do mosaico comum do milho é feita por várias espécies de
pulgões, sendo a mais eficiente a espécie Rhopalosiphum maidis.
Os insetos vetores adquirem os vírus em poucos segundos ou minutos e os
transmitem, também, em poucos segundos ou minutos. A transmissão desses
vírus pode ser feita, também, mecanicamente. Mais de 250 espécies de
gramíneas são hospedeiras dos vírus do mosaico comum do milho.
Controle: A
utilização de cultivares resistentes é o método mais eficiente para o
manejo dessa virose. A eliminação de plantas hospedeiras e a realização do
plantio mais cedo podem contribuir para a redução da incidência dessa
doença. A aplicação de inseticidas para o controle dos vetores não tem
sido um método muito efetivo no controle do mosaico comum do milho.
Foto:
Carlos Roberto Casela.
Figura 32.
Sintomas do masaico comum do milho.
Doenças
causadas por nematóides
Mais de 40
espécies de 12 gêneros de nematóides têm sido citadas como
parasitas de raízes de milho em todas as áreas do mundo onde este
cereal é
cultivado. No Brasil, as espécies mais importantes, devido à
patogenicidade, à
distribuição e à alta densidade populacional, são Pratylenchus
brachyurus,
Pratylenchus zeae, Helicotylenchus dihystera,
Criconemella spp.,
Meloidogyne spp. e Xiphinema spp.
Resultados de pesquisa demonstram que o
controle químico de nematóides na cultura do milho permitiu o aumento da
produção de grãos em 39% em área naturalmente infestada por Pratylenchus
zeae e Helicotylenchus dihystera.
A ocorrência de nematóides do gênero Meloidogyne parasitando
o milho e
causando prejuízos significativos em condições naturais foi relatada no
Brasil
em 1986, sendo identificada a espécie Meloidogyne incognita
raça 3 em raízes
de plantas de milho que não se desenvolveram. Contudo, o milho está
entre
as culturas mais recomendadas para a rotação em áreas infestadas por
Meloidogyne spp.. Atualmente, devido à necessidade
de se controlar o
nematóide do cisto (Heterodera glycines) na cultura da soja, o
milho tem sido
uma alternativa para a rotação de cultura, pois não é parasitado por
este
nematóide. Por outro lado, estas duas culturas podem ser parasitadas por
nematóides do gênero Meloidogyne, notadamente por M.
incognita e M.
javanica.
Sintomas: As injúrias por
nematóides variam com o gênero e a população do nematóide
envolvido, as condições do solo e a idade da planta de milho. Os
sistemas
radiculares parasitados por nematóides são menos eficientes na absorção
de
água e nutrientes da solução do solo. Consequentemente, uma planta
parasitada tem seu crescimento reduzido, apresenta sintomas de
deficiências
minerais e a produção é reduzida. Plantas atacadas por nematóides
apresentam, em sua parte aérea, os seguintes sintomas: enfezamento e
cloroses; sintomas de murcha durante as horas mais quentes do dia, com
recuperação à noite; espigas pequenas e mal granadas. Esses sintomas
dão à
cultura do milho uma aparência de irregularidade, podendo aparecer em
reboleiras ou em grandes extensões. Quando esses sintomas, observados na
parte aérea, são causados por nematóides, as raízes apresentam os
seguintes sintomas:
- Encurtamento e engrossamento das raízes: Trichodorus
spp., Longidorus spp. e Belonolaimus spp..
- Sistema radicular praticamente destituído de
radicelas: Xiphinema spp., Tylenchorhynchus spp., Helicotylenchus spp.,
Belonolaimus spp. e Macroposthonia spp..
- Sistema radicular praticamente destituído de
radicelas e com lesões radiculares e raízes apodrecidas: Pratylenchus
spp., Xiphinema spp., Hoplolaimus spp. e Helicotylenchus spp..
- Sistema radicular com pequenas galhas: Meloidogyne
spp..
Fator de Reprodução (FR) do nematóide
É necessário conhecer muito bem o Fator de Reprodução (FR) das espécies
de
nematóides que parasitam as cultivares de milho. O FR expressa se a
cultivar
é excelente, boa, fraca ou não hospedeira do nematóide presente na área
de
cultivo do milho em relação à população inicial presente no solo
infestado por
este nematóide. Isto é, o FR representa a população do nematóide no
estádio
final da cultura em relação à população inicial do nematóide presente na
ocasião de semeadura. Consequentemente, a cultivar de milho a ser
utilizada
em plantios comerciais ou em rotação com a cultura da soja deve
apresentar
FR < 1, se possível igual ou próximo de zero.
Na avaliação da reação de 107 genótipos de milho a Meloidogyne
incognita
raças 1, 2, 3 e 4 e a M. arenaria raça 2, incluindo
populações de polinização
aberta, linhagens, cruzamentos intervarietais e híbridos comerciais, os
resultados mostraram que todos os genótipos foram bons hospedeiros
desses
nematóides. O FR para Meloidogyne incognita raça 1 variou de
8,5 a 24,3 e
para a raça 3 variou de 5,3 a 34,8; enquanto que, para M. arenaria
raça 2,
variou de 16,2 a 31,9. Estes resultados mostram a existência de
variabilidade
genética entre os genótipos avaliados. Em outro ensaio de resistência a
Meloidogyne incognita raça 3, empregando-se 29
cultivares de milho
recomendadas para o estado de São Paulo, todas as cultivares
mostraram-se
suscetíveis ao nematóide (FR > 1).
O milho tem sido amplamente recomendado para rotação em áreas
infestadas
com Meloidogyne javanica. No entanto, mesmo não mostrando
sintomas de
galhas evidentes, algumas cultivares permitem uma acentuada
multiplicação
deste nematóide. Em avaliação de 36 genótipos de milho em relação à
patogenicidade de M. javanica, todos apresentaram o FR <
1, indicando que
estes genótipos diminuíram a população inicial deste nematóide no solo.
Contudo, recentemente, em 18 genótipos de milho avaliados, todos
comportaram-se como bons hospedeiros de M. javanica, com o FR
variando de
2,2 a 6,9.
Controle: A utilização de cultivares
resistentes é a medida mais eficiente e econômica
para o controle dos nematóides que parasitam a cultura do milho. A
rotação
de culturas com espécie botânica não hospedeira dos nematóides
presentes na
área de cultivo também é recomendada. A utilização de plantas armadilha
como Crotalaria spectabilis, as quais atraem e aprisionam
larvas de
nematóides, é especificamente recomendada para o controle de Meloidogyne
spp. A espécie Crotalaria juncea possui alto potencial de
multiplicação dos
nematóides Pratylenchus spp. e Helicotylenchus spp.,
enquanto a rotação
com mucuna preta (Mucuna aterrima) diminui as populações
iniciais de
Pratylenchus spp.. O controle químico dos
nematóides parasitas do milho
depende da disponibilidade de produtos registrados no Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como da análise econômica da
utilização desta tecnologia.
Recomendações para o controle químico de doenças na
cultura do milho
Os resultados de pesquisas realizadas pela Embrapa Milho e
Sorgo e em outras
instituições de pesquisa demonstram que o uso de fungicidas tem se
mostrado
uma estratégia viável e eficiente de manejo de doenças na cultura do
milho.
Entretanto, alguns fatores devem ser observados para que a relação
custo/benefício seja positiva, ou seja, que o benefício do controle das
doenças com o uso de fungicidas seja superior ao custo da sua
utilização.
Dentre esses fatores, o conhecimento das principais doenças que ocorrem
tanto ao nível de região quanto de propriedade, o nível de resistência
das
cultivares às principais doenças, as condições de clima durante o
período do
ciclo da cultura, o sistema de produção (plantio direto, rotação de
culturas
etc.) e a disponibilidade de equipamentos para pulverização estão entre
os
mais importantes. O uso de fungicidas na cultura do milho é recomendado
nas
situações de elevada severidade de doenças, que são resultantes da
combinação de todos, ou alguns, dos seguintes fatores: uso de genótipos
suscetíveis (Figura 33); condições climáticas favoráveis ao
desenvolvimento
das doenças; plantio direto sem rotação de culturas; e plantio
continuado de
milho na área.
Foto: Rodrigo Veras da Costa.
Figura
33. Curva de progresso da mancha branca do milho nas
cultivares BRS
1035 (resistente) e DAS 657 (suscetível) submetidas à aplicação de três
fungicidas, em uma e duas aplicações, em comparação à testemunha sem
aplicação.
Para o melhor entendimento do modo como os fungicidas atuam na
produtividade da cultura do milho, é necessário considerarmos os
componentes de produtividade da cultura, que são cinco: 1) número de
plantas por hectare; 2) número de espigas por planta; 3) número de
fileiras
por espiga; 4) número de grãos por fileira; e 5) peso de grãos. O
primeiro
componente, número de plantas por hectare, talvez o mais importante
deles,
é definido na fase de germinação e emergência das plântulas, no início
do
ciclo da cultura. Os componentes 2 e 3 (número de espigas por planta e
número de fileiras por espiga) são definidos entre as fases V5 e V8
(cinco a
oito folhas) e o quarto componente (número de grãos por fileira) é
definido
entre as fases V12 e VT (12 folhas até o pendoamento). Finalmente, o
último
componente de produtividade do milho, peso de grãos, é definido de R1 a
R6
(florescimento à maturidade fisiológica).
Portanto, fica evidente que, quando a cultura atinge a fase do
pendoamento,
seu potencial produtivo já está definido, pois os quatro componentes de
produtividade que poderiam resultar em aumento do número de grãos já
ocorreram. A partir desse momento, ocorre apenas a realização do
potencial
produtivo através do enchimento dos grãos. As aplicações de fungicidas
na
fase do pendoamento apenas interferem no último componente de
produtividade e atuam preservando o potencial produtivo da cultura
através
da proteção contra as perdas causadas pelas doenças. É correto afirmar,
então, que a aplicação de fungicidas não aumenta o potencial produtivo
da
cultura, mas evita perdas na produtividade em função da proteção
conferida
durante o período de enchimento dos grãos.
Tem sido demonstrado que alguns fungicidas, notadamente aqueles
pertencentes ao grupo das estrobilurinas, apresentam efeitos que vão
além do
controle de doenças, denominados efeitos fisiológicos. Dentre esses
efeitos,
estão maior resistência a vários tipos de estresses como seca e
nutricional,
aumento da capacidade fotossintética, redução da respiração foliar e
maior
eficiência do uso de água. Os estudos sobre os efeitos fisiológicos de
fungicidas foram bem desenvolvidos na cultura da soja. Na cultura do
milho,
entretanto, esses efeitos não têm sido tão evidentes, sendo detectada,
em
algumas situações, menor produtividade em áreas pulverizadas com
fungicidas
quando comparadas a áreas não pulverizadas.
Desse modo, mais estudos são necessários para definir a existência e a
magnitude dos efeitos fisiológicos de fungicidas em plantas de milho.
Por
outro lado, considerando também a possibilidade de surgimento de
populações de patógenos resistentes às moléculas fungicidas, em função
do
seu uso intensivo, e os efeitos negativos desses produtos no meio
ambiente, é
coerente enxergarmos os fungicidas como ferramenta importante,
especificamente para o manejo de doenças, e buscarmos elevar os níveis
de
produtividade da cultura através de melhorias e adequações em seu
sistema
de produção.
No processo de tomada de decisão sobre a necessidade de aplicação de
fungicidas na cultura do milho, o primeiro fator a ser observado é o
nível de
resistência da cultivar em relação às principais doenças presentes na
região e
na propriedade. De modo geral, não se recomenda a aplicação de
fungicidas
para cultivares resistentes (Figura 33). Os maiores retornos econômicos
resultantes do uso de fungicidas na cultura do milho ocorrem em
situações de
alto risco de ocorrência de doenças em elevada severidade, situação
caracterizada, principalmente, pelos seguintes componentes: uso de
genótipos suscetíveis; plantio contínuo de milho na área; e uso do
sistema de
plantio direto sem rotação de culturas (Figura 34).
Foto:
Rodrigo Veras da Costa.
Figura
34. Caracterização de ambientes de maior e menor
risco de ocorrência de doenças em elevada severidade e
probabilidade de retorno econômico da aplicação de
fungicidas na cultura do milho.
Outro fator importante a ser considerado para a tomada de
decisão, tanto
sobre a necessidade de aplicação quanto da escolha do produto a ser
utilizado, é que as doenças normalmente ocorrem de modo simultâneo no
campo, o que pode influenciar a eficiência da aplicação. Por exemplo, os
fungicidas do grupo químico dos triazóis apresentam uma baixa
eficiência no
controle da mancha branca, uma doença de ampla ocorrência nas principais
regiões produtoras do país. Desse modo, para garantir uma maior
eficiência
das aplicações, é fundamental a realização do monitoramento da lavoura
na
fase de pré-pendoamento, antes da aplicação do fungicida.
Considerando que as folhas acima da espiga contribuem, em média, com
mais
de 90% da produção das plantas de milho e que as doenças foliares, na
sua
maioria, aparecem inicialmente nas folhas baixeiras e progridem em
direção
às folhas superiores, a folha abaixo da folha da espiga representa uma
boa
referência para a realização de inspeções de campo. A presença de
sintomas
de doenças nessa folha, em cultivares suscetíveis, associados a
condições
climáticas favoráveis ao desenvolvimento das doenças, representam um
indicação da necessidade de se intervir com a aplicação de fungicidas
(Figura
35). Condições de ambiente caracterizadas por temperaturas elevadas e
baixa
umidade relativa do ar desfavorecem a maioria das doenças fungicidas que
atacam a cultura do milho. No entanto, temperaturas moderadas e
ambientes
úmidos (elevada umidade relativa do ar, chuvas frequentes, irrigação e
orvalho) favorecem essas enfermidades.
Foto: Rodrigo Veras da Costa.
Figura
35. Presença de doença na folha abaixo da folha da espiga como
critério para auxiliar no processo de tomada de decisão sobre a
aplicação de
fungicidas na cultura do milho. Outros critérios, como condições
climáticas e
suscetibilidade da cultivar, devem ser considerados de modo conjunto.
Atualmente, todos os produtos comerciais registrados no Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento para o manejo de doenças do milho
pertencem aos grupos químicos dos triazóis e das estrobilurinas,
formulados
puros ou em misturas (Tabela 1). As características desses produtos
também
devem ser consideradas, quando da sua utilização, visando a uma maior
eficiência no controle das doenças. As estrobilurinas atuam a nível de
respiração mitocondrial, sendo mais efetivas nas fases iniciais do
ciclo de vida
dos fungos, ou seja, na germinação dos esporos e nos processos inicias
de
infecção. Os fungicidas triazóis, que atuam a nível da biossíntese de
ergosterol, um componente da membrana celular dos fungos, podem
promover o controle de patógenos fúngicos em fases mais avançadas do seu
ciclo, como a colonização (crescimento micelial) e a pré-esporulação.
Portanto, as aplicações de produtos pertencentes a esses grupos químicos
apresentam maior eficiência quando são realizadas nos sintomas iniciais
das
doenças no campo. Normalmente, as aplicações realizadas em situações de
elevada intensidade de doenças são menos efetivas.
Tabela
1. Grupos químicos e ingredientes ativos de fungicidas
registrados
no Ministério da Agricultura, Pecuária a Abastecimento para o controle
de
doenças na cultura do milho.
Fonte: Ministério da Agricultura.
Quanto à decisão sobre a melhor época de aplicação de
fungicidas para o
controle de doenças na cultura do milho, dois pontos devem ser
considerados:
1) a fase do ciclo da cultura na qual as plantas são mais sensíveis ao
ataque de
patógenos; e 2) o período de ocorrência das principais doenças.
Conforme já
mencionado anteriormente, na fase compreendida entre o pendoamento (VT)
e grãos leitosos (R3), as plantas de milho necessitam do máximo de sua
capacidade fotossintética, pois começa um intenso período de
translocação de
fotoassimilados para as espigas. Nessa fase, qualquer fator que
interfira
negativamente reduzindo a área foliar e, consequentemente, a sua
capacidade fotossintética, resulta em reduções significativas na
produtividade
de grãos. Essa é a fase considerada crítica para a cultura do milho e
que deve
ser considerada quando se pretende proteger as plantas via aplicação de
fungicidas. Se considerarmos que o período residual máximo dos
fungicidas
dos grupos das estrobilurinas e triazóis está em torno de 15 a 20 dias
e que a
fase de enchimento de grãos no milho dura, em média, 60 dias, deve-se
ter
cuidado com as aplicações realizadas muito cedo, ainda na fase
vegetativa da
cultura (como exemplo, no estágio de oito folhas, como é feito nas
aplicações
com pulverizadores de arrasto), pois quando as plantas realmente
necessitarem da proteção química os produtos não estarão mais efetivos
(Figura 36).
Foto: Rodrigo Veras da Costa.
Figura 36.
Período residual dos fungicidas em relação ao período de
enchimento dos grãos na cultura do milho.
Por outro lado, é necessário considerar, também, o momento do
aparecimento das doenças na lavoura. Algumas doenças, como as ferrugens
e,
em algumas situações, a mancha branca, podem incidir ainda na fase
vegetativa da cultura e, numa situação de uso de cultivares suscetíveis
e de
predominância de condições ambientais favoráveis, o controle químico
deve
ser considerado de modo a evitar que elevados níveis de doenças
alcancem as
folhas acima da espiga na fase de florescimento da cultura. Fica,
portanto,
evidente que a época ideal para a realização das aplicações de
fungicidas na
cultura do milho depende de um monitoramento da lavoura, que deve ser
iniciado ainda na fase vegetativa da cultura. Todos os aspectos acima
mencionados devem ser considerados para a tomada de decisão.
A disponibilidade de equipamentos para pulverização é outro fator que
influencia a eficiência do manejo de doenças na cultura do milho
através de
fungicidas. De modo geral, os equipamentos utilizados são os
pulverizadores
de arrasto, principalmente em pequenas propriedades, e autopropelidos e
aeronaves, em grandes propriedades. No caso dos pulverizadores de
arrasto,
as pulverizações podem ser realizadas em plantas com até 100cm de
altura,
aproximadamente, ou seja, por volta do estágio de 8 a 9 folhas
definitivas (V8
a V9). Nesse caso, deve-se dar preferência para o plantio de cultivares
que
apresentem bom nível de resistência às principais doenças, pois, em
situações
de condições favoráveis ao desenvolvimento das doenças e uso de
cultivares
suscetíveis, a aplicação de fungicidas muito cedo (V8 a V9)
provavelmente
será insuficiente para o controle adequado das doenças, com consequentes
perdas na produtividade. Os equipamentos autopropelidos, cuja altura de
eixo
é de aproximadamente 120cm, permitem a realização de aplicações em fases
mais avançadas do ciclo (V10 a VT), quando comparados aos
pulverizadores de
arrasto. As pulverizações realizadas com aviões, embora apresentem um
custo
mais elevado, não apresentam as limitações mencionadas anteriormente. Os
resultados de trabalhos de pesquisa têm mostrado que a eficiência dessa
modalidade de aplicação é equivalente àquela observada nos
pulverizadores
terrestres.
Atualmente, existem nove fungicidas registrados no Ministério da
Agricultura,
Pecuária e Abastecimento para o controle de doenças da parte aérea da
cultura do milho. Todos esses produtos são pertencentes aos grupos
químicos
dos triazóis e das estrubilurinas, formulados isoladamente ou em
misturas
(Tabela 2). Os fungicidas à base de triazóis e estrobilurinas são
eficientes
para o controle de várias doenças na cultura do milho (Figura 37).
Tabela 2.
Fungicidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento para
o manejo de doenças da parte aérea na cultura do milho.
Fonte: Ministério da Agricultura.
Foto: Rodrigo Veras da Costa.
Figura 37.
Eficiência de fungicidas para o controle de doenças na cultura do
milho (+ eficiente; - ineficiente).
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